
Por Espaço Cultural Elza Soares
Da Página do MST
No próximo dia 02 de maio (sábado), a série “O Samba da Minha Terra” realiza uma edição histórica no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo. O encontro celebra a força da classe trabalhadora, tendo como anfitriões duas referências da luta política e da cultura das rodas de samba: o MST e a roda de samba Inimigos do Batente. O sambista Moacyr Luz, personalidade referencial e inspiradora do samba brasileiro, desembarca em São Paulo para receber a Medalha Beth Carvalho, homenagem criada pela série O Samba da Minha Terra.
Moacyr Luz: O Embaixador de todas as cidades
“A escolha de Moacyr Luz para esta homenagem é profundamente simbólica. Fundador do lendário Samba do Trabalhador, que há duas décadas transforma as segundas-feiras do Rio de Janeiro em um ato de resistência e celebração, Moacyr tornou-se o embaixador de um modo de vida onde o samba é o ofício e a identidade do povo”, afirmou Fernando Szegeri, integrante dos Inimigos do Batente.
Com quase cinco décadas de trajetória e parcerias com gênios como Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, Moacyr é o cronista da alma brasileira. Sua vinda a São Paulo para ser agraciado com a medalha no contexto do 1º de Maio reforça o vínculo indissociável entre a arte e a lida diária da nossa gente.
Mari Tavares, da coordenação do Espaço Elza Soares, disse que “o samba é uma cultura criada pela classe trabalhadora. No samba, sempre que se canta, se luta também! Trazermos Moacyr Luz para esta homenagem, nesta data, é a nossa maneira de celebrarmos toda a sua trajetória dedicada ao samba para, juntos, celebrarmos a força de todas as trabalhadoras e trabalhadores.”
Legado Vivo: 80 anos de Beth Carvalho
A celebração também marca uma data fundamental para a cultura brasileira: se estivesse entre nós, a madrinha Beth Carvalho completaria 80 anos no dia 05 de maio. Embora sua partida tenha deixado uma lacuna, sua memória e legado permanecem mais vivos do que nunca nas rodas de todo o país.
Foi para manter acesa essa chama de militância e excelência artística que o MST e os Inimigos do Batente criaram a Medalha Beth Carvalho. A honraria reconhece aqueles que, como a própria Beth, dedicam a vida a um Brasil mais justo, livre e profundamente sambista. Entregar esta medalha a Moacyr Luz às vésperas do aniversário da madrinha é um gesto de continuidade e de respeito à ancestralidade que nos guia.
Emocionado, Moacyr Luz falou sobre a relação que tinha com Beth Carvalho: “A Beth Carvalho é uma pessoa fundamental na minha vida. Por exemplo, foi ela que sugeriu a mudança do tema da música ‘Saudades da Guanabara’, que era uma outra letra. Até falar do Rio de Janeiro foi uma sugestão dela, da Beth. Foi a Beth que chegou pra mim e disse que conhecia muita gente que fazia música, mas compositores muito poucos, e eu era um deles. Isso me encheu de confiança e de certeza que eu devia investir neste trabalho. E até hoje, todas as vezes que eu penso na Beth, eu penso nela andando pelo mundo, onde quer que esteja, pra conhecer uma música nova, um artista novo e pra abrir as portas para o infinito. Isso se chama Beth Carvalho, a madrinha de todos nós”, definiu Moacyr Luz.
O Samba da Minha Terra
Nascida dessa confluência entre cultura e luta popular, a série “O Samba da Minha Terra” promove encontros que revivem as tradições dos pagodes de fundo de quintal, com música, conversa e comida brasileira de primeira, oriunda da agricultura ecológica da reforma agrária popular.
“O Espaço Cultural Elza Soares tem muita afinidade com o samba e, de outro lado, a roda dos Inimigos do Batente sempre esteve em sintonia com as lutas populares”, pontuou Fernando Szegeri. “São momentos em que compartilhamos uma grande mesa comum simbólica. Tem sido um acontecimento de samba onde todos os músicos sentam, comem, conversam e fazem um tipo de esquenta para a roda de samba dos Inimigos do Batente, que é um grupo que há 27 anos faz roda na cidade de São Paulo”, completou Mari Tavares.
Sobre Moacyr Luz
Compositor, músico, escritor e agitador cultural mais que consagrado, tem em quase cinco décadas de trajetória artística dezenas e dezenas de canções gravadas em sua própria voz e por artistas como Gilberto Gil, Fafá de Belém, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, entre muitos outros. Além da histórica parceria com Aldir Blanc, divide a autoria de muitos sucessos com os maiores compositores brasileiros de sua geração, como Luiz Carlos da Vila, Nei Lopes, Hermínio Bello de Carvalho, Martinho da Vila, Wilson das Neves e inúmeros mais.
Cultor e guardião dos modos de vida da cidade do Rio de Janeiro, onde nasceu e morou por toda a vida, tornou-se uma espécie de “embaixador da cidade”, título que ele mesmo já outorgara ao legendário músico e compositor Pixinguinha em “Som de Prata”, parceria com Paulo César Pinheiro. Em 2005, funda ao lado de outros sambistas a roda “Samba do Trabalhador”, que viria a se tornar uma das mais emblemáticas da cidade nas duas últimas décadas, como a assinalar, simbólica e definitivamente, que a roda de samba é o lugar dos trabalhadores.

Sobre Beth Carvalho
Uma das mais reconhecidas cantoras populares do Brasil em todos os tempos, Beth Carvalho virou sinônimo de samba ao longo de sua trajetória artística de quase meio século, com mais de trinta LPs gravados, quase integralmente dedicados ao gênero. Para além de seu papel decisivo na preservação, divulgação e desenvolvimento do samba tradicional brasileiro, Beth destacou-se como incansável militante política, sempre pronta a se posicionar ao lado dos que travaram as lutas por um Brasil mais justo, livre e igualitário. A ideia de associar a figura da artista a uma premiação que reconhece a importância daqueles que dedicam sua vida ao samba é uma maneira de destacar esse encontro, em amplo sentido, da cultura popular com a luta social e política.
Espaço Elza Soares
O Espaço Cultural Elza Soares é um espaço cultural de caráter independente, educativo, multiplicador, de produção e difusão cultural. Oferece uma ampla gama de atividades nas mais variadas linguagens artísticas, como teatro, cinema e audiovisual, música, culinária, artes visuais, esportes e diversas práticas integrativas de bem-estar. Possui também uma ampla programação de culinária intitulada “Culinária da Terra”, com pratos típicos regionais que trazem para o concreto o debate sobre alimentação saudável e a comida como direito humano fundamental. Além disso, o Espaço já abrigou feiras de livros que promovem a literatura periférica e regional, oficinas de artes visuais que incentivam a criatividade e expressão artística e muitas outras atividades que reforçam o protagonismo das comunidades do campo e das periferias, viabilizando a circulação da cultura material e imaterial desses agentes culturais.
Sobre os Inimigos do Batente
Fundada pelos músicos Railídia (voz), Fernando Szegeri (voz) e Paulinho Timor (percussão), a roda de samba dos Inimigos do Batente está em vias de completar 27 anos de atividade, 22 dos quais realizando apresentações regulares no bar Ó do Borogodó, um dos mais representativos redutos do samba e choro em São Paulo. A formação atual dos Inimigos do Batente é um pouquinho de Brasil, de periferia, de diversidade de ofícios que convergem na paixão pelo samba e pela roda de samba. São equilibristas entre o viver de música e a realidade que bate à porta. São Inimigos do Batente a paraense Railídia, jornalista e cantora; Fernando Szegeri, escritor e cantor; Paulinho Timor, produtor e percussionista; Hélio Guadalupe, carioca, funcionário público e cavaquinista; Luiz Tiobi, sete cordas, de família de músicos do interior de São Paulo; Dil Bandeco, metalúrgico e pandeirista; Koka Pereira, produtor, educador musical e percussionista. Nesse quarto de século, a roda recebeu sambistas de diversas gerações e procedências como Wilson Moreira, Monarco, Xangô da Mangueira, Beth Carvalho, Nei Lopes, Wilson das Neves, Moacyr Luz, Tia Surica, Noca da Portela, Dona Inah, Carlão do Peruche, Fabiana Cozza, entre tantos outros. Também se apresentaram em espetáculos ao lado de monstros sagrados como Paulo Vanzolini, Leci Brandão e Alaíde Costa, bem como das legendárias Velhas Guardas do Camisa Verde-e-Branco (madrinha do grupo) e da Portela.


SERVIÇO
O Samba da Minha Terra, edição especial do Dia do Trabalhador: entrega da medalha Beth Carvalho ao compositor Moacyr Luz
Dia: 02 de maio de 2026
Horário: Das 12h às 18h
Local: Espaço Cultural Elza Soares – Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos
Entrada gratuita. Alimentos e bebidas vendidos no local
*Editado por Leonardo Correia
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