
No dia 20 de maio, a classe trabalhadora e a juventude do estado de São Paulo realizou a Marcha em defesa dos direitos, da vida e contra o fascismo na capital paulista. A marcha, que durante todo o seu trajeto chegou a reunir mais de 30.000 pessoas, terminou no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo. A partir da pressão realizada pelos manifestantes, o governo estadual teve que receber uma comissão composta por estudantes e manifestantes para ouvir as demandas do povo paulista.
Leonardo de Paula | São Paulo
Brasil – Milhares de bandeiras cobriram o céu do Largo da Batata no último dia 20 de maio. O local foi escolhido como ponto inicial da marcha por ser capaz de receber uma grande número de pessoas e ser um espaço onde circulam milhares de trabalhadores diariamente Segundo os organizadores da marcha, o evento chegou a contar com a presença de 30 mil pessoas vindas de todas regiões do estado para denunciar os crimes do governador Tarcísio (Republicanos) ao povo paulista.
Com medo da pressão popular, o governador intensificou as revistas aos ônibus nas estradas que ligam o interior à capital. Pelo menos 15 ônibus foram parados nas estradas, os estudantes do Campus de Rio Claro, tiveram sua viagem atrasada em mais de 3 horas pela polícia de Tarcísio. Tudo isso para desmobilizar a força da marcha que saiu do Largo do Batata, zona oeste da capital, e caminhou mais de 6 km até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo e residência de Tarcísio.
Apesar da revista da polícia ter atrasado em horas a chegada dos estudantes, todos os ônibus da UNESP, UNICAMP, USP, Baixada Santista, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba, entre outras regiões, conseguiram chegar e compor a marcha.
A tentativa de desmobilizar o povo não parou por aí. O governador enviou mais de dois ônibus da polícia militar e centenas de policiais para intimidar os manifestantes, o que só aumentou a indignação dos trabalhadores e estudantes que tinham como uma das principais denúncias o aumento da violência policial e o despejo violento sofrido pelos estudantes da USP na ocupação da reitoria em pleno dia das mães.
Trabalhadores denunciam fascismo
“O governo do Tarcísio é o maior representante do fascismo hoje. Aumentou muito a repressão policial e os cortes na educação. Para nós, só com o povo na rua a gente pode mudar isso”, Declarou Luiza, integrante da caravana de Ribeirão Preto no ato.
Durante toda a Marcha, Tarcisio foi chamado de “canalha” pelos manifestantes. A expressão faz referência a um grito histórico dos estudantes da USP, que surgiu durante a ocupação do CRUSP (Conjunto Residencial da USP) na ditadura militar, servia para alertar a chegada da Polícia Militar no campus.
“Aqui na Baixada, os policiais ficam na favela andando de fuzil na frente das crianças. Dando risada, como se isso fosse normal. A violência piorou muito desde que o Tarcísio entrou”, denunciou Abel, da baixada Santista.
Na porta do Palácio dos Bandeirantes, a juventude das universidades paulistas queimou bonecos em referência ao reitor da USP e ao governador, nomeado inimigo número um da juventude paulista e da educação pública no estado.
Estudantes em defesa da educação
Durante toda a marcha os estudantes se organizaram em seus blocos para denunciar às condições da educação em todo o estado de São Paulo. “Quando eu fiquei sabendo da marcha eu já logo quis ir. Estudei a minha vida toda em escola pública e a educação está muito sucateada desde os cortes de gastos do Tarcísio“, relatou Laura, estudante da região do Alto Tietê.
Mobilizados pelos seus grêmios, milhares de secundaristas denunciaram à violência imposta nas escolas militarizadas do estado, o fechamento de salas principalmente no período noturno e o projeto de privatização das escolas na gestão de Tarcísio.
Erguendo cartazes com o escrito “O diabo serve larva”, a juventude denunciou as condições dos bandejões nas universidades, principal política de permanência nos campus. Na UNICAMP e na USP, estudantes são obrigados a procurar atendimento médico após fazerem suas refeições nos Restaurantes Universitários terceirizados.
Já na UNESP, Universidade Estadual de São Paulo, representações de Centros Acadêmicos, DCE e demais Entidades Estudantis denunciam que dos 24 campi da universidade espalhados por todo o estado, apenas 10 contam com bandejões em funcionamento. Nos outros campi, centenas de jovens tem que evadir do ensino por não conseguirem se alimentar.
Governo é obrigado a receber comissão de estudantes
Ao final da Marcha, a polícia militar montou barricadas para impedir que o povo trabalhador e a juventude terminassem o ato no local proposto, o Palácio dos Bandeirantes. Mesmo armados com a tropa de choque e com a cavalaria, a pressão popular obrigou o governo do estado a receber uma comissão composta por estudantes para apresentar as reivindicações da marcha.
Apesar da promessa de diálogo, os estudantes foram recebidos na porta do palácio, onde o chefe da casa civil alegou não saber da realidade das universidades paulistas, das demandas do movimento estudantil e da educação como um todo.
Dany Oliveira, diretora do DCE Livre da USP, moradora do CRUSP e pré-candidata à deputada federal pela Unidade Popular, declarou em coletiva de imprensa após a recepção: “Nós só queremos ter comida para comer, só queremos ter uma moradia digna, que a gente não morra de tanto aspirar o mofo que tem na nossa casa. É isso que a gente está pedindo. É por isso que os estudantes estão marchando, de uma maneira pacífica”
E conclui: “Não faz sentido as autoridades desse estado tratarem a juventude dessa maneira, Nós estamos ou não estamos numa democracia? Se nós estamos numa democracia, por que os estudantes não podem marchar? Onde está o governador que foi eleito? Ele foi eleito para estar no cargo público. E ele tem que cumprir com as suas funções. Uma delas é receber a demanda do seu povo”.
Em sua intervenção, Vivian Mendes, pré-candidata ao governo do estado de São Paulo, disse: “O povo na rua pode derrotar o Tarcísio de Freitas. Foi a juventude que enfrentou a polícia militar com os métodos mais atrasados de tortura, como fizeram no despejo da USP. São as mulheres que sobrevivem às políticas fascistas de Tarcísio. é todo o povo trabalhador que enfrenta a escala 6×1, que tira nossa vida, que enfrenta a miséria das privatizações Nós podemos derrotar esse governo e muito mais. Nós podemos ser poder” Nós vamos derrotá-lo pelo poder nas ruas”