
Os trabalhadores da Hyundai na Coreia do Sul entraram em greve nesta sexta-feira (21). Cerca de 40 mil trabalhadores estão parados em uma greve geral de um dia inteiro, a primeira desse tipo em dez anos. O sindicato que reúne os trabalhadores da montadora reivindica maior proteção aos funcionários frente ao avanço da automação pela inteligência artificial (IA) e melhores condições salariais.
Desde julho, o sindicato local negocia as novas bases salariais, porém os sucessivos impasses levaram a diversas paralisações de turnos ao longo das últimas semanas.
O protesto ainda envolve trabalhadores da Kia, que pertence ao Hyundai Motor Group, e fornecedores, de acordo com agência de notícias Reuters. No ato em frente à sede da empresa, na capital Seul, pelo menos 3 mil trabalhadores se reuniram.
A paralisação atingiu as fábricas da empresa em Asan, Jeonju e Ulsan. Esta última é considerada a maior fábrica individual de automóveis do mundo.
O sindicato reivindica aumento de 149,6 mil won (cerca de R$ 560) no salário-base mensal, além de participação de 30% nos lucros da Hyundai e aumento de outros bônus. A empresa, por sua vez, oferece reajuste de 89 mil won (aproximadamente R$ 335).
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Somado à reivindicação salarial, os funcionários da empresa também pedem garantias contra a substituição de humanos por robôs. Recentemente, a empresa afirmou que irá implementar, em 2028, robôs humanoides na fábrica que fica nos Estados Unidos. A apreensão é de que isso também chegue ao país asiático. Esse processo acontece a partir da aquisição pela companhia da empresa Boston Dynamics, que produz robôs voltados para aplicações industriais.
Como afirmou Kim Byung-chul, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia, à Reuters, a preocupação se estende para além do chão de fábrica e atinge áreas de pesquisa e engenharia, assim como a greve visa resguardar os postos de trabalho para as gerações futuras.
O sindicato também reivindica ampliar de 60 para até 65 anos a idade de permanência dos trabalhadores na Hyundai (limite atualmente estabelecido pela empresa). A medida permitiria que os empregados mais velhos continuassem recebendo os salários e benefícios da empresa por mais tempo, reduzindo o impacto financeiro da transição para a aposentadoria pública. A pauta ainda inclui redução da jornada sem redução da remuneração e contratação de novos trabalhadores.
Com as paralisações sucessivas nas linhas de produção e a greve geral dessa sexta, mais de 55 mil veículos deixaram de ser produzidos de forma acumulada, o que pode gerar um prejuízo de US$ 1,67 bilhão para a empresa. Já a Yonhap, agência de notícias da Coreia do Sul, estima que as perdas acumuladas até 25 de agosto podem chegar a cerca de 62 mil veículos e US$ 1,85 bilhão.
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