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51º Aniversário da vitória do Vietnã – Por que o povo vietnamita venceu?

Foto: Reprodução

Por Setor de Internacionalismo do MST
Da Página do MST

No dia 30 de abril de 1975 um tanque do Exército Popular do Vietnã (EPV) derrubava os portões do Palácio Presidencial do Vietnã do Sul, dando um fim simbólico ao governo fantoche e a uma guerra que durava décadas. No dia seguinte, o desfile do 1º de Maio foi comemorado pela população na renomeada cidade de Ho Chi Minh (o novo nome da antiga capital, Saigon). Foi a maior derrota da história do império estadunidense – a fuga dos americanos foi tão desesperada que deixaram para trás no prédio da embaixada milhares de arquivos com os nomes de seus espiões e informantes nativos.

Que lições os povos do mundo podem aprender da experiência de luta dos vietnamitas? Como um pequeno país conseguiu vencer dois dos mais poderosos impérios do planeta? (França e EUA).

Ho Chi Minh e sua equipe elaboraram uma estratégia revolucionária e uma forma organizacional inédita e praticamente indestrutível, contra a qual ambos os impérios tentaram todos os meios e formas de derrotar e não conseguiram.

A estratégia visava realizar uma Revolução Nacional Democrática Popular e conseguir a libertação nacional e social (por isso o nome Frente Nacional de Libertação do Vietnã Sul (FNLVS), e não só Frente de Libertação Nacional), combinando todas as formas de luta – luta política, lutas pacíficas, lutas sociais (greves, passeatas, manifestações, protestos etc.) e luta armada, numa guerra popular revolucionária que culminaria na Rebelião Geral e na vitória do povo rebelde. A vitória contra inimigos tão poderosos só poderia vir com a combinação de todas as formas de luta.

Para travar essa luta foi criada a FNLVS, uma frente ampla, que reunia pessoas das mais variadas profissões e classes sociais, mulheres, jovens, operários, camponeses, estudantes, religiosos etc. Essa frente tinha um programa mínimo de 10 pontos, de fácil compreensão para todo o povo, mesmo os analfabetos.

A Frente era composta de dezenas de organizações e associações funcionais, que agrupavam seus militantes em milhares de células e grupos, responsáveis por travar as lutas. Entre suas associações existiam:

  • Associação de Libertação dos Camponeses (a maior delas, com centenas de milhares de membros)
  • Associação de Libertação das Mulheres
  • Associação de Libertação da Juventude
  • E dezenas de outras organizações funcionais (dos professores, dos jornalistas, dos estudantes etc.). Isso criava uma miríade de células que travavam um “movimento de luta” em todos os lugares da nação, fazendo propaganda revolucionária, ganhando simpatizantes, recrutando novos militantes, ajudando os guerrilheiros com alimentos, refúgio e informações.

Além da Frente (FNLVS), foi criado também um Exército de Libertação, para travar a luta armada, combinando a guerrilha rural, a guerrilha urbana e o terrorismo seletivo contra as tropas do governo e seus aliados estrangeiros, além de figuras detestadas pela população (torturadores, corruptos, criminosos, políticos de extrema direita etc).

Esse Exército de Libertação era organizado em grupos de combate (principalmente nas cidades), pelotões, companhias e batalhões – nas áreas rurais, onde morava a maioria da população. Foi esse exército que criou as áreas libertadas, onde foi criada uma administração paralela, realizada uma Reforma Agrária, aplicada uma justiça revolucionária rápida contra os criminosos e os contrarrevolucionários.

Nas áreas libertadas foram implementadas várias outras medidas, como a educação popular, eliminando o analfabetismo, o combate ao crime, a organização dos camponeses em sindicatos e cooperativas etc. Enfim, nas áreas libertadas estava sendo gerada uma nova forma de vida para o povo pobre!

O Exército de Libertação tinha um serviço de inteligência “estupendo” (nas palavras de um alto funcionário da CIA). Seus agentes infiltrados na administração do governo e nas forças armadas permitiam que o comando dos guerrilheiros ficasse a par das decisões do inimigo quase que imediatamente fossem tomadas.

O Exército de Libertação era estruturado em dois níveis: os guerrilheiros de tempo integral e a Milícia Popular, que reunia os combatentes de “meio período”, que trabalhavam de dia e, à noite, faziam ações armadas.

A combinação da luta política (travada pela FNLVS, com seus milhões de membros e simpatizantes) e da luta armada do Exército de Libertação (que em seu melhor momento chegou a contar com uns 270 mil guerrilheiros) foi a grande responsável pela vitória, a libertação do povo, a libertação nacional e a reunificação do Sul com o Norte, criando a República Socialista do Vietnã.

Durante todo o período da guerra nunca faltou o apoio do Vietnã do Norte e de seu Exército Popular, da China, da União Soviética e de todos os anti-imperialistas do mundo. Mas em última instância, a revolução só triunfou mesmo pela ação corajosa e heroica dos militantes da FNLVS e do Exército de Libertação, mostrando que “quem ganha o povo ganha a guerra”!

*Editado por Fernanda Alcântara

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