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Operação que apura corrupção e tráfico de influência mira aliado de Flávio Bolsonaro

Mais um bolsonarista é alvo de operação da Polícia Federal (PF) por suspeita de corrupção. Desta vez, um dos alvos é o deputado federal evangélico Cezinha de Madureira (PL-SP) que, além de ser aliado de primeira hora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seu clã, é próximo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Deflagrada nesta segunda-feira (14), a terceira fase da Operação Transparência apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência junto a tribunais superiores.

Segundo comunicado da PF, “as investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”. Diz, ainda, que “não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados”.

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A ação é um desdobramento de investigação iniciada em dezembro de 2025 relativa a irregularidades na destinação de emendas parlamentares e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, responsável, no STF, pelas apurações sobre o tema. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.

Relação antiga

Cezinha é velho conhecido no mundo evangélico e na direita. Foi vice-líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) e costumava participar das motociatas promovidas pelo ex-presidente — inclusive, já andou na garupa dele.

É considerado um dos líderes evangélicos mais influentes do Congresso, sendo articulador da Assembleia de Deus e mais especificamente do Ministério de Madureira. Atualmente, cumpre seu segundo mandato como deputado federal por São Paulo — sendo secretário de Transparência da Câmara — e, em 2021, presidiu a Frente Parlamentar Evangélica.

Durante a pré-campanha, Cezinha passou a integrar formalmente a coordenação política e o núcleo evangélico de Flávio Bolsonaro. Um dos momentos mais recentes em que esteve com o senador foi no ato da Avenida Paulista no 7 de Setembro. Pelas redes, disse ter estado “em uma mobilização histórica ao lado de grandes lideranças e de um povo que não abre mão dos seus valores”.

Por seu trânsito no meio político e evangélico, foi um dos principais articuladores da aprovação do então indicado de Bolsonaro para o STF, André Mendonça. O objetivo, segundo disse o presidente à época, era ter um ministro “terrivelmente evangélico”. Hoje, Mendonça está no epicentro das tensões envolvendo o STF por sua atuação parcial e possível direcionamento de investigações em favor de Flávio Bolsonaro.

Cezinha também é apontado por combinar encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, preso pela maior fraude financeira do país, conduzida pelo banco Master. Entre outras suspeitas envolvendo Vorcaro estão os repasses de ao menos R$ 72 milhões para supostamente pagar despesas do filme Dark Horse, a pedido de Flávio Bolsonaro, caso que está sob investigação.

A reunião entre o ministro e o ex-banqueiro aconteceu em março de 2025, no instituto Iter, em São Paulo, fundado pelo próprio Mendonça, que se afastou da sociedade recentemente, em meio a questionamentos sobre contratos públicos firmados ao longo dos últimos anos.

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