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Sem apresentar provas, EUA acusam Brasil de ‘falhar’ no combate ao PCC e CV

O governo de Donald Trump pressionou o Brasil e cobrou medidas mais duras contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (15/09), a Casa Branca afirmou que as duas facções transformaram o Brasil em um centro do fluxo global de cocaína.

Apesar da crítica, o Brasil não foi incluído na lista norte-americana de países considerados grandes produtores ou importantes rotas de trânsito de drogas. Segundo Washington, o país também ficou fora da relação de governos que falharam de forma demonstrável no cumprimento de compromissos internacionais de combate ao narcotráfico.

Vale ressaltar, que a  determinação presidencial, publicada anualmente, considera fatores como produção, trânsito e esforços de governos estrangeiros contra o tráfico. A própria Casa Branca ressalta que a inclusão de um país na lista de grandes produtores ou rotas não representa, necessariamente, uma avaliação negativa sobre sua atuação.

Ainda assim, Trump dedicou um trecho específico do documento ao Brasil. De acordo com o texto, o PCC e o Comando Vermelho “transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína” e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais.

A Casa Branca afirma que o governo brasileiro precisa adotar medidas “agressivas” contra as duas organizações e agir para impedir que elas ampliem sua atuação.

A cobrança marca uma mudança em relação ao documento publicado em 2025, quando o Brasil não havia sido citado nominalmente. A nova posição ocorre depois de Washington elevar o nível de pressão sobre as principais organizações criminosas brasileiras.

Classificação como terroristas

Em maio deste ano, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou o PCC e Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A decisão foi publicada no Federal Register no início de junho.

Na determinação, Rubio afirmou que os grupos haviam cometido, tentado cometer ou representavam risco significativo de cometer atos de terrorismo contra cidadãos americanos ou contra interesses de segurança nacional, política externa e economia dos Estados Unidos.

A classificação foi adotada apesar da oposição do governo brasileiro e acrescentou um novo foco de tensão à relação entre Lula e Trump.

Em maio, os dois presidentes se reuniram na Casa Branca para discutir comércio, minerais críticos e combate ao crime organizado. No entanto, após algumas semanas Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump e defendeu a classificação das facções como organizações terroristas.

No entanto, nos meses seguintes os dois governos se tornou mais intensa. Em julho, Washington anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto Brasília negou vistos a dois funcionários estadunidendes. Em agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Classificação do PCC e do Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados” pelos EUA elevou a pressão de Washington sobre o governo brasileiro
Foto: The White House

Venezuela é elogiada por Trump

Enquanto cobra uma resposta mais dura do Brasil, Donald Trump elogiou no mesmo documento mudanças políticas e a cooperação de outros governos latino-americanos no combate ao narcotráfico.

Em destaque, apareceu a Venezuela. O presidente norte-americano afirma que, após a saída de Nicolás Maduro do poder, Washington passou a registrar avanços na cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez, inclusive em ações contra cartéis.

Segundo o documento,  a Venezuela deixou de fazer parte da lista de governos que “falharam de forma demonstrável” no cumprimento de compromissos internacionais de combate às drogas.

Contudo, o país continua classificado pelos Estados Unidos como uma importante rota de trânsito ou produção de entorpecentes.

Trump também cita positivamente as mudanças políticas na Bolívia, após a eleição de Rodrigo Paz, e na Colômbia, com a vitória de Abelardo de la Espriella. Os dois países, porém, permanecem na lista de governos considerados insuficientes por Washington no combate às drogas.

O documento menciona ainda a presidente peruana Keiko Fujimori e aponta Argentina, Equador e El Salvador como alguns dos principais aliados dos Estados Unidos no hemisfério na luta contra o narcotráfico.

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