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Educação e Reforma Agrária: MST e GEPEM fortalecem construção coletiva no RN 

Foto: Acervo do setor de educação do MST no RN.

Por Ramiro Teixeira*
Da Página do MST 

A construção da Educação do Campo no Rio Grande do Norte tem sido marcada por uma trajetória de diálogo e construção coletiva entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Grupo de Estudos e Práticas Educativas em Movimento (GEPEM), através da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Com mais de duas décadas de parceria, essa articulação tem contribuído para ampliar o acesso à educação e fortalecer a formação política e pedagógica da militância sem-terra. 

Parte dos resultados dessa trajetória foi apresentada durante o I Seminário da Cátedra Paulo Freire, realizado em setembro de 2026 pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). O encontro evidenciou experiências construídas a partir da relação entre o MST, o GEPEM/UFRN e a Escola Estadual Professora Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco, localizada no Assentamento Rosário, em Ceará-Mirim (RN). 

Formação e luta pela educação 

Foto: Acervo do setor de educação do MST no RN.

A parceria entre o MST e o GEPEM tem raízes ainda na década de 2000, quando foram construídos, no Rio Grande do Norte, cursos vinculados ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), entre eles Alfabetização, Pedagogia da Terra e Magistério da Terra. 

As iniciativas foram realizadas em articulação entre o Movimento, a UFRN e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), com participação de professores vinculados ao grupo de estudo. Ao longo desse processo, dezenas de jovens, adultos, militantes e assentados do Rio Grande do Norte e de outros estados foram formados e passaram a atuar em escolas dos assentamentos, em diferentes espaços do campo e nos setores que compõem a organicidade do MST, especialmente nas áreas de Educação e Formação. 

A experiência também se estendeu ao curso de Ciências Sociais, realizado entre 2014 e 2018 em nível Nordeste pelo PRONERA e coordenado pelo professor Cesar Sanson, da UFRN. Novamente, a participação de professores do GEPEM contribuiu para a formação de militantes que passaram a atuar nos processos educacionais e políticos da luta pela terra, tanto no MST quanto em outras organizações populares do campo. 

Educação do Campo construída nos territórios 

Foto: Acervo do setor de educação do MST no RN.

Em 2019, a construção da Escola Estadual Professora Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco, no Assentamento Rosário, em Ceará-Mirim, abriu uma nova etapa dessa parceria. O nome da escola representa também uma homenagem e o reconhecimento da contribuição da professora Marta Pernambuco para essa trajetória de construção coletiva. 

Desde então, professores da escola, militantes do setor de Educação do MST e integrantes do GEPEM vêm participando de processos de formação e assessoria pedagógica, construindo práticas fundamentadas na Pedagogia do Movimento Sem Terra e no pensamento de Paulo Freire. 

Para o MST, essa experiência reafirma que a Educação do Campo é construída a partir da realidade concreta dos territórios, articulando os conhecimentos produzidos na universidade com os saberes, as experiências e as necessidades dos sujeitos do campo. 

Em 2026, a parceria ganhou mais um capítulo com o início de um curso de Especialização em Educação do Campo pela UFRN, construído com participação dos professores do GEPEM e do MST. A formação reúne professores de assentamentos e de outras escolas localizadas no campo do Rio Grande do Norte. 

Pesquisa, extensão e produção de conhecimento 

Foto: Acervo do setor de educação do MST no RN.

A atuação conjunta também ultrapassa os cursos formais de formação de professores. O GEPEM desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão nos assentamentos do estado, contribuindo para a sistematização das realidades vivenciadas pelas comunidades da Reforma Agrária. 

Entre essas experiências está o Projeto Incra-Ambiental. Como resultado desse processo de pesquisa e sistematização, foram publicados os livros Práticas coletivas na escola e Práticas coletivas em assentamentos rurais. 

Atualmente, o GEPEM é liderado pelas professoras Maria Carmem Freire Diógenes Rego (UFRN) e Irene Alves de Paiva (UFRN), com a participação do professor Gilberto Ferreira Costa (UFRN), Marco Saiande Casado (UFRN), Josemi Medeiros da Cunha (IFPB) e estudantes de pós-graduação em Educação. O grupo está vinculado à linha de pesquisa Educação, Construção das Ciências e Práticas Educativas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. 

Novos desafios para a Educação do Campo 

A história construída entre o MST e o GEPEM segue em movimento. Atualmente, professores do grupo e o setor de Educação do MST estão trabalhando na elaboração de um novo curso de Pedagogia pelo PRONERA. 

A iniciativa reafirma uma trajetória de mais de duas décadas em que a formação de educadores, a pesquisa, a extensão e a organização dos trabalhadores do campo caminham juntas. 

Para o MST, fortalecer essas articulações significa seguir defendendo uma educação vinculada à realidade dos territórios, à formação de sujeitos e à construção de um projeto de campo baseado na dignidade, nos direitos e na transformação social.

A experiência construída no Rio Grande do Norte demonstra, assim, a força da parceria entre universidade, movimento social e comunidades na construção de uma Educação do Campo comprometida com a realidade e com os sujeitos que vivem e lutam nos territórios da Reforma Agrária.

*Edição de Morgana Souza, do MST no Rio Grande do Norte 

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