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Marília Campos faz história e é a 1ª senadora eleita pela esquerda em MG

Acabou o tabu em Minas Gerais! Neste domingo (4), a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), se elegeu senadora e quebrou a hegemonia de partidos de centro-direita e direita no estado. Desde a redemocratização, é a primeira vez que o PT ou qualquer partido de esquerda conquista, no voto, uma cadeira no Senado por Minas.

Com 100% das urnas apuradas, Marília recebeu 3.990.864 votos – o equivalente a 19,44% dos votos válidos – e ficou com uma das duas vagas mineiras para o cargo. Eleita com o lema “O Senado Mais Perto do Povo”, a petista terá como suplentes Luciana Costa e Laércio Cintra.

“Quase 4 milhões de votos! Recebo esse resultado com o coração cheio de gratidão e com a responsabilidade de representar Minas Gerais no Senado Federal”, registrou Marília nas redes sociais após o anúncio de sua vitória.  “Depois de quatro mandatos como prefeita de Contagem, sei que os municípios precisam de uma voz presente em Brasília. Vou levar essa experiência para o Senado, com compromisso com as cidades, com as mulheres, com quem mais precisa e com o desenvolvimento de Minas Gerais.”

A outra vaga ficou com o bolsonarista Domingos Sávio (PL), que teve 4.968.829 votos (24,21%). Na disputa, Marília e Domingos superaram rivais como o senador Carlos Viana (PSD) e o ex-governador Aécio Neves (PSDB). Em certa medida, os dois eleitos reproduziram a corrida local à Presidência da República. Em Minas, Flavio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno ligeiramente à frente de Lula (PT).

Marília fez história num estado em que a esquerda já acumulava êxitos em outras batalhas político-eleitorais, mas parecia fadado a não chegar ao senado. O PT venceu cinco das últimas seis eleições presidenciais em Minas e já chegou a governar o estado com Fernando Pimentel (2015-2018). Para o Senado, porém, parecia haver uma “trava progressista” no território. O último senador mineiro eleito com o apoio direto do PT foi Hélio Costa (PMDB), em 2002.

O caso mais próximo de uma exceção similar à de Marília é Júnia Marise, que chegou a ser do PDT, mas se elegeu em 1990 pelo direitista PRN. Antes de 1985, há exemplos de senadores mineiras que pertenciam a correntes progressistas ou trabalhistas, como Lúcio Bittencourt, eleito em 1954 pela chapa PTB/PSB.

Já a eleição ao governo de Minas terminou em primeiro turno. Com 55,40% dos votos válidos, Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito para o Palácio Tiradentes. O ex-ministro Patrus Ananias (PT) – que representou o “time de Lula” na disputa – teve 26,34% dos votos válidos.

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