O ex-agente da CIA John Kiriakou afirmou que a agência estaria “potencialmente intervindo” nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro (PL).
A princípio, Kiriakou escreveu em sua conta no X que conversou com o ex-presidente Jair Bolsonaro há três anos, quando este era candidato. “Receio ter subestimado o poder do populismo nesta disputa atual. Ele vai perder. Há evidências confiáveis de que a CIA está envolvida”, afirmou.
No entanto, minutos depois, ele publicou uma correção nas redes sociais, dizendo que, na verdade, teria conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Uma correção aqui: minha conversa foi com LULA, não com Bolsonaro. Para esclarecer, a CIA está potencialmente intervindo a favor de Bolsonaro, não de Lula. Explicações e mais detalhes sobre a eleição presidencial do Brasil sairão amanhã [nesta terça-feira, 06/10] no programa Briefing Room, de John Kiriakou”, indicou.
A afirmação sobre uma possível interferência da CIA foi apresentada como uma avaliação do próprio Kiriakou. Até o fechamento desta matéria, o ex-agente não divulgou documentos, registros ou outras evidências que comprovassem a atuação da agência no processo eleitoral brasileiro.
Correction here: my conversation was with LULA, not Bolsanaro. (To clarify, the CIA is potentially intervening on Bolsanaro’s behalf, not Lula’s). Explanation and more on Brazil’s presidential election coming tomorrow on John Kiriakou’s Briefing Room.
— John Kiriakou (@JohnKiriakou) October 5, 2026
John Kiriakou é ex-analista e agente da CIA, ex-investigador sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado e consultor de contraterrorismo. Enquanto trabalhava para a agência, participou de missões contraterrorismo após os ataques de 11 de setembro de 2001, mas recusou-se a ser treinado nas chamadas “técnicas aprimoradas de interrogatório”.
Em 2013, ele foi condenado a 30 meses de prisão após ser processado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por revelar o nome de um agente da CIA durante a divulgação de informações sobre os métodos de interrogatório da agência.
Movimentações do governo Trump na eleição brasileira
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para “nível crítico” o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano, conforme documento revelado neste sábado (19/09) pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
A avaliação consta de um relatório reservado, encaminhado em agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. Nele, a Abin identifica uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e alerta para a “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”.
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também manifestaram preocupação com a possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, mais notadamente por parte dos Estados Unidos.
Nesse sentido, parlamentares norte-americanos solicitaram uma resposta formal sobre o compromisso do governo de Donald Trump com o resultado das eleições brasileiras e sobre a atuação de Washington em relação aos aliados latino-americanos.
Além disso, a poucas semanas da eleição presidencial no Brasil, a empresa Ascensus Global, Inc — que pertence a veteranos com deficiência nos EUA — anunciou uma vaga de professor de português brasileiro para “ensino de idiomas para militares e/ou profissionais do governo”.
A companhia presta serviços de treinamento de línguas e cultura para uma grande base de clientes, incluindo mais de 40 clientes militares e de inteligência dos EUA, bem como mais de 2.000 organizações civis governamentais, comerciais e sem fins lucrativos em diversas áreas. Como é informado no site.
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