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Alta abstenção no exterior mobiliza brasileiros em campanha por caronas e hospedagem

A abstenção entre brasileiros residentes no exterior no primeiro turno das eleições presidenciais foi recorde neste ano. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 916 mil eleitores estão aptos a votar fora do país, mas cerca de 574 mil não compareceram às urnas, o equivalente a 62%. O índice é superior ao registrado em 2022, quando a taxa chegou a 56%, de acordo com dados da Justiça Eleitoral.

Para evitar uma alta abstenção no segundo turno, muitos brasileiros que vivem no exterior estão se organizando, individualmente ou em grupos, para oferecer caronas e hospedagem a compatriotas que queiram votar no dia 25 de outubro.

Esse é o caso de Guilherme Curi, que mora em Marbella, no sul da Espanha, há um ano. Ele não votou no primeiro turno, mas afirma a Opera Mundi que, desta vez, faz questão de dirigir 580 quilômetros até Madri para participar da votação.

O professor universitário respondeu a uma publicação em uma rede social oferecendo carona a outros brasileiros que moram na região da Andaluzia e queiram ir até a capital espanhola no dia 25 de outubro.

“Um dos meus objetivos é tentar mobilizar o maior número de pessoas para tentar reverter esse quadro de profunda tragédia política que a gente vive hoje”, disse o gaúcho, de 45 anos.

Na Espanha, os únicos locais de votação disponíveis nestas eleições são Madri e Barcelona. “Se a pessoa não tiver condição financeira para dividir o combustível, não tem problema algum. Eu coloco o carro à disposição mesmo assim”, afirmou Curi.

No primeiro turno, 70% dos brasileiros que moram na Espanha não votaram. Os altos índices de abstenção também foram registrados em outras grandes cidades europeias. Em Milão, na Itália, a taxa chegou a 69%; em Lisboa, capital portuguesa, a 63%.

Mobilização e solidariedade

As cidades que registraram os maiores números de eleitores ausentes no primeiro turno foram Lisboa, Boston e Nova York, estas duas últimas nos Estados Unidos.

O jornalista Jamil Chade, que mora em Genebra, publicou um vídeo em uma rede social fazendo um apelo para que brasileiros que vivem fora do país compareçam em peso às urnas no segundo turno: “ofereçam carona, adiem planos, chamem os parentes”. A publicação recebeu mais de 2 mil comentários e 35 mil curtidas.

“Não é fácil pra quem está fora e não tem consulado brasileiro perto, mas vamos nos organizar. Quem estiver indo para essas cidades aqui da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo, que ofereça carona para levar outras pessoas para que também possam votar”, pediu Chade.

Lígia Maria Salomão, que mora na França há 15 anos, comentou na publicação e contou que está organizando um grupo para dividir os gastos e viajar até Paris para votar. A coordenadora de logística mora na região da Borgonha, a 330 quilômetros da capital francesa.

“No primeiro turno, eu disponibilizei o carro e fomos até Paris com um grupo de amigas, rachamos os custos do combustível e do alojamento. Aproveitamos para passar o fim de semana lá, assistir ao show do Djavan e votar, que era nosso principal objetivo. No segundo turno também vamos em grupo para dividir os custos, mas dessa vez vai ser bate e volta”, disse a paulista, de 47 anos.

Para Jeane Santos Bonfim, que vive há nove anos na Espanha, muitos brasileiros deixaram de votar porque moram longe dos dois locais de votação. Recentemente, ela entrou em um grupo de pessoas que oferecem hospedagem para o segundo turno.

Bonfim está disponibilizando hospedagem gratuita em sua casa para quem quiser votar no segundo turno e não tiver onde ficar em Madri.

“Acho que temos que ser solidários. Ajudar as pessoas a exercerem a sua cidadania e como aqui só dá pra votar em Madri ou Barcelona, muitas pessoas não votam porque não têm um lugar para ficar. A solidariedade tem que existir sempre, mas neste caso ainda mais. O que a gente puder fazer para salvar o nosso país, a gente tem que fazer”, afirmou a estilista baiana, de 40 anos.

Brasileiros que moram no exterior e não votaram no primeiro turno poderão participar do segundo, desde que estejam com a situação eleitoral regularizada e tenham transferido o título para a seção eleitoral no exterior.

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