
A três dias do segundo turno, a militância de Lula ocupou a internet. O canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, já ultrapassa 8,2 milhões de seguidores e se firma como uma das maiores operações de mobilização digital da campanha. Ao mesmo tempo, a pesquisa PoderData/AYA divulgada nesta quinta-feira (22) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 50,5% dos votos válidos e Lula com 49,5%. Na rodada de segunda-feira (19), eram 52% a 48%.
O “Exército do Lula” e o trabalho de Janones
A mobilização digital tem nome e sobrenome. O deputado André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp no início da campanha de segundo turno, e ele saltou de cerca de 50 mil para quase 2 milhões de seguidores em dois dias. O canal passou dos 4 milhões em 12 de outubro e hoje já ultrapassa 8,2 milhões.
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O trabalho de Janones fez o que a militância precisava: transformou apoiadores em agentes de comunicação, com cada seguidor levando mais gente e espalhando o material. A direita reagiu tentando silenciar o canal. A pedido da campanha de Flávio, ele chegou a ser suspenso pela presidência do TSE, mas voltou a funcionar. A pesquisa não mede o efeito do canal, mas o Poder360 apontou em sua análise que a recuperação de Lula veio com a mobilização das ruas e a ofensiva digital. Dar fôlego à campanha é isso.
A resposta de Janones à tentativa de calar o canal resume o espírito da mobilização: “Nós ocupamos a rua e agora estamos ocupando a internet.”
A resposta da direita ficou para trás
O sucesso do canal fez a direita correr atrás – e muito. Em 8 de outubro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou a “Tropa do Flávio”, também no WhatsApp, para mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro, copiando a ideia de Janones. O canal passou de 1,3 milhão de inscritos nos primeiros dias para cerca de 1,9 milhão em 17 de outubro, segundo levantamento do jornal O Povo. No mesmo dia, o “Exército do Lula” já somava 4,8 milhões. Hoje o canal de Janones passa de 8,2 milhões.
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A vantagem não vem de falta de estrutura do lado de lá. Nikolas tem 22,8 milhões de seguidores no Instagram, contra 16,1 milhões de Lula. Mesmo assim, foi o campo popular que montou a rede de militância maior e mais rápida. Quem entrou no canal de Janones não foi atrás de influenciador: foi atrás de uma missão, e a missão era virar o jogo.
A virada está nos números e na rua
O movimento aparece nas pesquisas. No PoderData/AYA, a vantagem de Flávio caiu de 4 para 1 ponto em três dias, dentro da margem de erro de 1,6 ponto. O Datafolha mostra Flávio caindo de 52% para 51% nos votos válidos entre 8 e 15 de outubro, e a AtlasIntel registra queda de 52,8% para 51,1% entre 9 e 19 de outubro. Em todos os institutos, a distância encolhe.
O que a reta final pede de Lula
A campanha chega ao último fim de semana com o vento a favor, e o momento exige iniciativa.
- Falar de vida concreta. O Poder360 observa que o debate de domingo na TV Band foi tomado por ataques, com pouco espaço para propostas. Lula tem o que o bolsonarismo não tem: um projeto de país e uma gestão para mostrar. Emprego, renda, programas sociais e salário no bolso devem ocupar cada fala até domingo.
- Transformar a rede em voto. Os milhões do “Exército do Lula” precisam virar operação de comparecimento: lembrar a seção, organizar carona, levar vizinho, parente e colega.
- Falar com as mulheres. São a base mais sólida da candidatura, com 14 pontos de vantagem (55% a 41%). Vale agenda direta com elas nos últimos dias, com compromissos claros.
- Entrar no Sudeste. É onde estão os votos que faltam. Presença nas periferias e nas cidades médias, com caminhadas e comícios.
- Derrubar a narrativa do favorito. Enquanto metade do eleitorado acha que Flávio ganha (52% no PoderData), a militância precisa ouvir que a eleição está aberta e que cada voto conta.
Em três semanas, o povo já mostrou que sabe virar jogo. O resultado não está dado: está nas mãos de quem for votar no domingo.
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