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Governo Noboa prende principal liderança da esquerda do Equador

O governo equatoriano de Daniel Noboa prendeu nesta quinta-feira (22) Luisa González, duas vezes candidata à Presidência e uma das principais lideranças da oposição de esquerda. 

A prisão ocorreu a cinco semanas das eleições locais de 29 de novembro, das quais a Revolución Ciudadana (RC), partido do ex-presidente Rafael Correa, foi impedida de participar.

González foi detida em Canuto, na província de Manabí, durante uma operação que incluiu buscas também em Manabí e Pichincha. Sua assessora, Estefanía Molina, também foi presa. Segundo Correa, González foi levada ao Cuartel Modelo, em Guayaquil.

A Fiscalía investiga a suposta entrada de dinheiro da Venezuela na campanha presidencial de 2023. 

A defesa contesta a acusação e questiona o depoimento de Santiago Díaz Asque, ex-responsável pelas finanças da campanha. Ele afirmou ter transportado recursos por ordem de Correa. 

Os advogados apontam divergências nas datas, nos valores e nos locais relatados por Díaz, que foi condenado em maio a 29 anos e quatro meses de prisão por estupro de uma menina de 12 anos.

“Hoje é minha vez de ser presa por uma acusação absurda. Responderei com a dignidade dos equatorianos que nada devem e que estão comprometidos em alcançar a liberdade do Equador e um futuro melhor para o país”, afirmou.

A Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (REDH) denunciou a detenção como arbitrária e exigiu a libertação imediata de González. Segundo a organização, ela foi presa “sem a devida formulação de acusações, sem acesso à defesa e sem nenhuma transparência sobre seu paradeiro”. 

A rede também alertou para uma escalada de perseguição judicial contra opositores, dirigentes locais e movimentos sociais.

A prisão ocorre em meio ao afastamento da RC da disputa eleitoral. O Tribunal Contencioso Eleitoral suspendeu o partido por nove meses, decisão que o impediu de registrar candidaturas para as eleições de novembro. 

González também foi impedida de concorrer ao governo de Manabí, com apoio do Pachakutik.

A REDH relaciona o caso à perseguição contra outras lideranças da oposição, entre elas Correa, que vive no exterior há dez anos, e Jorge Glas, ex-vice-presidente preso em uma unidade de segurança máxima. 

A organização chama de lawfare o uso do sistema judicial para desgastar, afastar ou encarcerar adversários políticos.

A entidade também criticou o uso da “guerra interna” contra o narcotráfico como justificativa para medidas que restringem direitos. 

Noboa tentou ainda abrir caminho para o retorno de bases militares estrangeiras, proposta rejeitada pelos equatorianos em referendo em novembro de 2025. A detenção de González aprofunda o cerco à esquerda enquanto o governo insiste na militarização e na aproximação com a agenda de Washington.

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