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Israel inicia demolições na Cisjordânia após morte de dois soldados em ataque a tiros

Forças militares de Israel iniciaram nesta sexta-feira (23/10) uma operação para evacuação e demolição de residências nas cidades de Hebron e Halhul, na Cisjordânia.

A operação foi ordenada horas depois de uma ação realizada por dois homens armados, supostamente de nacionalidade palestina, que teriam disparado contra um posto de controle militar israelense em Hebron, matando dois soldados e deixando outros três levemente feridos. Os autores do ataque foram mortos, segundo o Ministério da Defesa de Israel.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que os militares israelenses devem estabelecer um “cordão de proteção” em torno das cidades de Hebron e Halhul, e que poderia se estender a outras áreas.

O premiê também explicou que a operação deve “transformar completamente” as áreas mencionadas, empregando plano similar ao utilizado em outras regiões da Cisjordânia em 2025, que levaram à evacuação de povoados inteiros e o deslocamento de milhares de famílias palestinas, resultando nos campos de refugiados de Jenin, Tulkarm, Nur Shams e Al-Far’a.

“É exatamente isso que faremos em um bairro de Hebron de onde vieram os terroristas. Evacuaremos os moradores, iremos de casa em casa, removeremos as armas encontradas e destruiremos toda a infraestrutura terrorista”, disse Netanyahu, em pronunciamento ao país.

Segundo o líder sionista, a operação em Hebron e Hahul será “em larga escala” e “a maior operação na Cisjordânia em décadas”. Também se referiu à imposição de um “bloqueio total” do território palestino pelas forças israelenses.

Hamas nega autoria

Também em declaração à imprensa local, o chefe do Estado-maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir, atribuiu o ataque contra o posto de controle de Hebron ao grupo de resistência palestino Hamas – que administra parte do território da Faixa de Gaza, mas que tem pouca presença na Cisjordânia.

“Este foi um ataque terrorista grave, com escala para algo muito maior, mas que foi contido pela ação dos soldados antes que pudesse ferir civis”, alegou Zamir.

No entanto, em um comunicado, o grupo Hamas negou qualquer tipo de participação no ataque, tanto em seu planejamento quanto em sua execução, apesar de fazer elogios à iniciativa e a seus autores.

Contexto eleitoral

O ataque ocorre apenas quatro dias antes de Israel realizar eleições pela primeira vez desde outubro de 2023, quando o governo de Netanyahu, que é candidato à reeleição, iniciou o massacre contra o território palestino da Faixa de Gaza, deixando ao menos 74 mil vítimas fatais, segundo dados oficiais – há estudos indicando que essa cifra pode ser até três vezes maior, considerando as mortes indiretas.

Nesta quinta-feira (22/10), Tel Aviv negou o visto à jornalista espanhola Francesca Cicardi, que buscava viajar ao país justamente para cobrir as eleições, na próxima terça-feira (27/10).

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