O mercado financeiro brasileiro expressou, novamente, sua preferência na disputa eleitoral e registrou fortes quedas nesta segunda-feira (26/10), o primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (25/10).
O dólar disparou 12,25%, chegando a R$ 5,60. Já o Ibovespa Futuro, contrato negociado com base na expectativa de variação do principal índice da Bolsa brasileira, caiu 14,84%.
A Bolsa de Valores brasileira, administrada pela B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), acionou o mecanismo de suspensão temporária das negociações, conhecido como circuit breaker, pela primeira vez desde março de 2020, quando os mercados foram atingidos pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
A interrupção ocorreu após o Ibovespa registrar queda de 10%, patamar que determina a paralisação das negociações por 30 minutos. A instabilidade também atingiu os contratos futuros de dólar, que ultrapassaram os limites de oscilação estabelecidos pela B3, mesmo após uma ampliação excepcional desses parâmetros.
Os juros futuros registraram fortes altas, chegando a avançar 182 pontos-base. Os investidores alegam preocupações com as perspectivas fiscais e a trajetória da inflação, apesar de o Brasil ter se mantido, na maioria dos quatro anos de governo Lula dentro da meta estabelecida pelo Banco Central e encerrado 2025 com inflação de 4,26%, o menor patamar anual em sete anos.
Diante da turbulência, causada pelos agentes do mercado financeiro nesta segunda-feira (26/10), o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos públicos prefixados e indexados à inflação previstos para os dias 27 e 29 de outubro. O Banco Central, por sua vez, manteve programado um leilão de swap cambial, instrumento utilizado para oferecer proteção contra oscilações do dólar.
Ativos brasileiros caem no exterior
As perdas também atingiram empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos. Segundo levantamento publicado pelo UOL, às 7h22 desta segunda-feira, o EWZ, fundo de índice que acompanha ações brasileiras no mercado norte-americano, recuava 26,16%.
Os papéis do Bradesco caíam 28,75%, os do Itaú Unibanco perdiam 27,1% e os da Petrobras registravam desvalorização de 23,17%. Também apresentavam quedas a Braskem, de 31,76%, a Ambev, de 16,06%, o Nubank, de 21,57%, e o Santander Brasil, de 13,33%.
A reação dos investidores reverteu o movimento observado após a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições, quando a Bolsa havia subido 7,7%, alcançando 206.911 pontos, enquanto o dólar recuou 4,11%, para cerca de R$ 5.
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