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Sem provas, Netanyahu segue a cartilha da extrema direita e denuncia fraude eleitoral

O criminoso de guerra e primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu difundiu acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas durante a votação de terça-feira (27), repetindo uma estratégia usada pela extrema direita para desacreditar processos eleitorais. 

Em um vídeo, Netanyahu acusou pessoas ligadas ao partido árabe Ra’am de circular com envelopes de dinheiro em cidades do sul de Israel, em alegação de fraude eleitoral. Em vez de acionar a polícia, no entanto, convocou eleitores do Likud, seu partido, a votar. 

Na sequência, o partido pediu que a votação fosse prorrogada para além das 22h.

Os sinais de desespero do Likud vieram em meio a uma mobilização eleitoral recorde, especialmente entre os árabes israelenses, cujo comparecimento foi estimado em 80%. Às 16h, mais de 55% do eleitorado já havia comparecido às urnas, o maior índice para esse horário desde 1973.

Na manhã desta quarta-feira (28), com 85,6% dos votos contabilizados, o bloco de Netanyahu aparecia com 53 cadeiras — oito a menos que as 61 necessárias para a maioria. A oposição liderada por Gadi Eisenkot tinha 48, e os partidos árabes, 19. 

Os votos em envelopes duplos ainda não haviam sido apurados.

Os votos em envelopes duplos são de eleitores que votam fora de sua seção habitual — sobretudo soldados e reservistas, mas também pacientes, presos, funcionários de hospitais, diplomatas e pessoas com deficiência. 

Cada cédula anônima é lacrada em um segundo envelope com os dados do eleitor; antes da apuração, a Comissão Eleitoral verifica se ele não votou duas vezes. Cerca de 600 mil desses votos ainda estavam pendentes. 

Como os eleitores árabes e ultraortodoxos são menos representados entre os votantes desse grupo, a contagem pode reduzir as cadeiras dos partidos árabes, ligados à oposição, e também das legendas ultraortodoxas, aliadas de Netanyahu. 

O número elevado de reservistas, porém, torna difícil prever o efeito final. 

Israel é um regime parlamentarista. Os eleitores escolhem listas de partidos para o Knesset, o Parlamento, que tem 120 cadeiras; não há votação direta para primeiro-ministro.

Após a eleição, o presidente consulta os partidos e encarrega um parlamentar de tentar formar governo. Para assumir, o novo gabinete precisa receber o voto de confiança de pelo menos 61 deputados.

Por isso, estar à frente na apuração não garante a Netanyahu um novo mandato. Com 53 cadeiras, seu bloco não alcança a maioria; o bloco de Eisenkot, com 48, também precisa de aliados.

A votação expressiva dos árabes israelenses deu peso decisivo aos partidos que os representam. Somados ao bloco oposicionista, seus 19 assentos formariam uma maioria parlamentar — mas a mudança dependeria de a oposição isralense aceitar negociar com essas legendas.

Likud espalhou suspeitas de fraude em Israel e atacou a vitória de Lula no Brasil

A tentativa de desacreditar o resultado começou antes da abertura das urnas. Durante a campanha, integrantes do Likud questionaram a imparcialidade da Comissão Eleitoral e insinuaram que grupos contrários a Netanyahu preparavam obstruções. 

Reportagem do New York Times registrou que, até a tarde de terça-feira, as autoridades não haviam identificado indícios de irregularidades generalizadas. Especialistas ouvidos pelo jornal alertaram que as acusações do governo poderiam preparar terreno para contestar um resultado desfavorável.

A retórica também foi dirigida contra a votação no Brasil. Na véspera da eleição israelense, o ministro Amichai Chikli, do Likud, contestou a vitória de Lula sem apresentar provas e afirmou que o Brasil sob o presidente eleito já não era uma democracia.

O ministro da Fazenda Bezalel Smotrich também anunciou o envio de milhares de observadores a comunidades árabes sob o pretexto de “prevenir fraudes”. 

Observadores eleitorais temiam que a medida, somada às acusações de fraude, intimidasse eleitores e lançasse suspeitas sobre o resultado justamente nas regiões onde a participação árabe era decisiva, relatou o New York Times.

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