O prefeito Sebastião Melo (MDB) anunciou, neste domingo (23), que parte da programação que marcará um ano da histórica enchente de 2024 em Porto Alegre será inspirada no museu holandês sobre a enchente de 1953 que atingiu o país europeu. O Watersnoodmuseum, localizado na vila Ouwerkerk, consolida a memória da tragédia que matou quase duas mil pessoas. O anúncio de Melo foi feito após a comitiva da Prefeitura percorrer a região litorânea da Holanda para conhecer inovações como o Sand Motor (motor de areia), criado para fortalecer a proteção costeira, e intervenções integrantes do Delta Works, conjunto de represas, diques, comportas e barreiras móveis que protege a região portuária.
Segundo Melo, a visita vai inspirar parte da programação alusiva à superação e solidariedade que marcará o primeiro ano da enchente de maio. ”Aqui vemos concretamente como as catástrofes naturais holandesas foram geradoras de transformações na infraestrutura de proteção. Porto Alegre e o Rio Grande também trabalham incansavelmente em soluções na reconstrução. Preservar essa memória de aprendizado e informação é essencial para esta e as futuras gerações”, disse Melo.
De acordo com a Prefeitura, a intenção é também resgatar o histórico da enchente de 1941 na Capital, dedicando ala do Museu de Arte de Porto Alegre (então Paço Municipal) para reunir informações sobre os dois grandes marcos. “Falei daqui com a Secretaria da Cultura e vamos aproveitar referências para conceber uma mostra que honre essa memória”, completou.
As comitivas da Prefeitura de Porto Alegre e do Governo do Estado viajaram a convite do governo dos Países Baixos para ampliar a cooperação no âmbito das ações de enfrentamento às enchentes.

Localizado no vilarejo Ouwerkerk, na província Zeeland e a cerca de 45 quilômetros de Middelburg, o museu Watersnoodmuseum é dedicado ao desastre de 1º de fevereiro de 1953, quando 1.836 pessoas perderam a vida devido à inundação. O museu está instalado em quatro grandes caixões de concreto utilizados para fechar o último rompimento do dique após a enchente. Cada seção aborda diferentes aspectos do desastre: fatos, emoções, reconstrução e o futuro da gestão hídrica nos Países Baixos.
Taaneha Bacchin, professora da universidade holandesa TU Delft, foi a anfitriã da agenda no Sand Engine e contextualizou essa trajetória de aprendizado dos Países Baixos. “As inovações aconteceram em resposta a catástrofes: Delta Works, em resposta à enchente de 1953; e o Room for the river, após as inundações de 1993 e 1995. Com a premissa de trabalhar com a natureza e não contra”, disse.

O projeto Sand Engine (Motor de areia) faz parte da abordagem holandesa de “trabalhar com a natureza”, sendo um modelo inovador para a gestão costeira em outras partes do mundo. “Fizemos uma linha perpendicular de areia, em um projeto de implementação rápida em 2011, que durou dois anos. É multifuncional porque cria uma paisagem, integra natureza em ambiente de multiuso para a população”, explicou Taaneha.
Realizado na costa de Delfland, consiste em um banco de areia artificial criado com 21,5 milhões de metros cúbicos de areia retirada do Mar do Norte, com a proposta de permitir que as ondas, o vento e a correnteza espalhassem naturalmente a areia ao longo da costa, favorecendo o crescimento das dunas e da praia. A transformação contempla uma manutenção prevista a cada 20 anos, não mais em cinco anos, o que também representa benefícios econômicos.
O projeto reúne um conjunto de represas, diques e barreiras para proteger a região portuária de enchentes e elevação do nível do mar. A comitiva visitou também um dos pontos mais simbólicos desse sistema, que é a barreira móvel do Porto de Rotterdam, chamada de Maeslantkering. O equipamento tem a função de proteger a cidade e a infraestrutura portuária contra inundações causadas por tempestades e aumento do nível do mar.
O penúltimo ponto do roteiro foi o Molenwaterpark, parque urbano no centro de Middelburg (província de Zeeland). Com capacidade para armazenar até 2 mil metros cúbicos de água, o parque coleta e armazena a água da chuva das áreas circundantes em lagoas e sistemas de valas (wadis). Isso alivia o sistema de esgoto durante chuvas intensas e ajuda a prevenir inundações nas áreas baixas da cidade. Em Porto Alegre, a Prefeitura destaca que há cerca de 50 bacias públicas de retenção de água da chuva, com mais de 200 mil metros cúbicos de capacidade total.
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