A previsão de volumes elevados de chuva ao longo desta semana em Porto Alegre traz apreensão aos moradores do bairro Sarandi, na zona norte da Capital. A população que vive nas proximidades do dique observa com preocupação o avanço da água e teme novos alagamentos.
Desde a madrugada desta terça-feira (17), Porto Alegre tem registrado chuvas fracas a moderadas, com momentos de maior intensidade e trovoadas. Segundo Arli Vera Borba Antunes, ex-moradora do bairro e integrante da comissão Fiscaliza Sarandi, houve alagamentos em algumas casas pela manhã, mas a água escoou com a pausa da chuva durante a tarde. Contudo, com a expectativa de novas chuvas, a preocupação aumenta.
De acordo com a MetSul, modelos apontam a possibilidade de mais de 100 mm de chuva em Porto Alegre até sexta-feira (20), com a possibilidade de atingirem entre 150 mm e 200 mm. Os números podem superar a média histórica de junho, que é de 130,4 mm.
O bairro Sarandi foi um dos mais afetados pela enchente de maio de 2024 e mesmo passado um ano do evento histórico, a região permanece despreparada. Conforme relata Arli, em períodos prolongados de chuva, ruas e casas continuam correndo o risco de serem atingidas pela água.
A situação é mais crítica para as famílias que ainda vivem no entorno do dique. Sete famílias ainda não concluíram as negociações com a Prefeitura de Porto Alegre para poderem deixar a região com uma nova moradia assegurada, e assim seguem em áreas de risco de alagamentos. “A Prefeitura não negociou e tá tentando reverter a situação de tirar os moradores dali. Então, continua tudo igual. Não arrumaram aquele trecho e isso tá bem preocupante”, afirma Arli.
Ela aponta que o bairro não tem estrutura adequada para suportar chuvas intensas. Entre os problemas estão bocas de lobo obstruídas, dificultando o escoamento da água, e obras paralisadas. Um dos pontos de maior preocupação é uma vala aberta ao lado do muro de casas próximas ao dique, resultado de uma obra inacabada. Moradores temem que, com a chegada da chuva, ela se transforme em mais um local de alagamento.

Outro ponto de preocupação é o funcionamento da casa de bombas do bairro. De acordo com Arli, faltam profissionais para assegurar a operação eficiente do equipamento. “Cada vez que fica esse tempo, o pessoal vai lá na casa de bombas ver se está funcionando, se está ligando. E às vezes fica só uma pessoa lá e a gente acha que deveria ficar um plantão. Alguém tem que ficar a noite inteira lá porque, se faltar luz, como é que fica?”, questiona.
Os moradores também denunciam a existência de um buraco aberto desde o dia 9 de junho na Rua José Antônio Vieira, causado por uma ação do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) nas tubulações. Com as chuvas, a via já apresenta pontos de alagamento. Dois protocolos foram registrados junto à Prefeitura, mas ainda não houve resposta sobre a conclusão da obra.
“É nós que estamos fiscalizando. A gente paga imposto e aí onde é que tá o pessoal da prefeitura? É uma vergonha isso e não dão jeito”, diz Arli.
A preocupação dos moradores está na incerteza do que pode acontecer sempre que chove. “O pessoal fica muito nervoso, toda vez que chove alguém tem que ficar cuidando, alguém do nosso grupo vai olhar como está. Nós temos essa sensação de pânico”, relata.
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