O assentamento Integração Gaúcha (Irga), do MST-RS, na zona rural de Eldorado do Sul, voltou a sofrer com inundações. A água do Rio Jacuí entrou em casas de famílias assentadas e destruiu hortas pouco mais de um ano depois da enchente que os deixou um mês sem poder plantar no local.
“Começou semana passada, daí já vão oito dias. Na horta foi onde teve mais estrago”, diz Otavino José Vedovatto, produtor de arroz orgânico e assentado no Irga. “Perdemos praticamente tudo”, afirma. Com o pouco que puderam resgatar, alguns produtores de orgânicos do assentamento Integração Gaúcha estarão, neste sábado (28), na Feira Ecológica do Lindóia, na rua Catamarca, junto à Praça Ponaim, das 7h à 12h.
A reconstrução do solo depois de a água secar também é um desafio. Pela plantação ser orgânica, o terreno depende de uma composição natural que deve ser mantida e tratada com muito cuidado. Com a água tomando o espaço por dias, ela acaba estragando o trabalho de mantimento do solo. “Como veio a inundação, as bactérias aeróbicas do solo, que dependem de ar, não sobrevivem”, pontua Vedovatto. Segundo ele, a retomada não vai ser fácil. “Tudo demora”, comenta.

A Defesa Civil do RS atualizou seu alerta para o final de semana para a possibilidade de inundações no Jacuí por conta das chuvas fortes com o rio já cheio. A Defesa Civil de Eldorado do Sul diz que o Irga está entre as áreas de risco, precisando sair da região por segurança. Mas, evacuar o assentamento não é simples para os produtores. “Vamos para onde? Não temos condição de sair. Nós temos máquinas. Vai evacuar as máquinas para onde? Para cima da BR (116)?”, questiona Otavino.
Desde a enchente de maio de 2024, tanto o governo estadual como o federal se comprometeram com o reassentamento das famílias da região. No final de abril deste ano, representantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniram com o representantes do governo do Estado para discutir pautas da reforma agrária no Rio Grande do Sul.
Entre elas, a reinvindicação de áreas para assentamento de famílias atingidas no ano passado. O governo se comprometeu a encontrar uma solução para pelo menos 18 famílias de Eldorado do Sul castigadas pelo desastre climático.
Uma das áreas requeridas pelo MST está localizada em Triunfo, às margens da BR-470, que antes pertencia a CEEE e hoje pertence ao governo estadual, sem vinculação com a CEEE Equatorial. O Executivo afirma que o local não pode ser repassado às famílias em virtude de o lençol freático estar contaminado e impróprio para uso. Ao todo, o terreno comporta 1700 hectares.
“A gente estava em negociação para sair daqui, porque é uma área baixa. Mas o Estado não avançou mais nisso”, comenta Otavino. “É uma sensação horrível de abandono”. O produtor diz que essa é a quarta vez que vê a água do Rio Jacuí tomar o local, sem previsão de mudanças.
O post Assentamento do MST em Eldorado volta a sofrer com inundações: ‘Perdemos praticamente tudo’ apareceu primeiro em Sul 21.