Notícias

Lei da Reciprocidade já está em vigor e autoriza resposta do Brasil a Trump

A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada por Lula em abril, voltou ao centro do debate político nesta semana, após o anúncio de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros. 

O governo afirmou que, diante de medidas unilaterais, aplicará contramedidas com base na nova legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.

“A gente deu a governo autonomia para utilizar medidas de reciprocidade diante de retaliações”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), ao destacar que o Executivo já tem respaldo legal para responder ao tarifaço imposto por Donald Trump. 

Segundo ela, não é necessário aprovar nenhuma nova medida no Legislativo. “A lei está dada e a lei está feita. O governo obviamente vai aplicar, porque o governo é altivo e vai responder.”

Aprovação unânime e base legal para contramedidas

A Lei nº 15.122/2025 foi elaborada em resposta à escalada da guerra comercial liderada por Donald Trump. O texto autoriza a aplicação de tarifas, sanções e suspensões de patentes contra países ou blocos econômicos que afetem injustamente a competitividade brasileira. 

Ironicamente, a relatora foi Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro. O bolsonarismo é pedra angular no ataque norte-americano à soberania nacional brasileira. A proposta, no entanto, obteve apoio de toda a base do governo e da oposição.

Segundo a legislação, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) pode suspender concessões comerciais, reter o reconhecimento de patentes, barrar remessas de royalties e aplicar sobretaxas específicas, desde que haja impacto comprovado e desproporcional à economia nacional.

Também há previsão de tentativa de negociação prévia, conforme as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que muda na prática com a nova lei

Antes da nova legislação, o Brasil não tinha instrumentos legais para aplicar tarifas unilaterais em resposta a sanções direcionadas. A Lei da Reciprocidade rompe esse impasse e dá respaldo jurídico para adotar contramedidas contra medidas consideradas hostis.

Entre as respostas possíveis, destacam-se:

  • Elevação de tarifas sobre bens e serviços de origem norte-americana;
  • Suspensão de obrigações comerciais, inclusive bilaterais;
  • Interrupção de pagamento de royalties e reconhecimento de patentes;
  • Suspensão de acordos de cooperação tecnológica e investimentos.

A legislação também protege o Brasil contra barreiras ambientais travestidas de exigências regulatórias. O dispositivo permite reagir a normas internacionais que restrinjam a exportação de produtos brasileiros sob pretexto ambiental, quando incompatíveis com as regras nacionais.

Jandira: tentativa de intimidação não passará

Durante a coletiva, Jandira Feghali criticou a tentativa de Trump de usar o julgamento de Bolsonaro como justificativa para a retaliação comercial. 

“Isso chega a ser ridículo. Eles tentam usar o julgamento de Bolsonaro como razão para essa retaliação, uma tentativa de intimidar o STF. Isso não vai acontecer, o Supremo tem sua independência, vai fazer seu julgamento”, afirmou.

A deputada também apontou o papel ativo de Eduardo Bolsonaro na articulação de sanções internacionais. 

“Está lá trabalhando pelas sanções, agressão e violação da soberania e do direito das filhas”, declarou, em referência à atuação do parlamentar junto ao trumpismo.

O post Lei da Reciprocidade já está em vigor e autoriza resposta do Brasil a Trump apareceu primeiro em Vermelho.