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UGEIRM lança pesquisa anônima para mapear assédio na Polícia Civil do RS

O sindicato UGEIRM, que representa os agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, iniciou nesta terça-feira (15) uma pesquisa voltada a servidores da corporação para mapear casos de assédio moral, sexual e discriminação dentro da instituição. O questionário pode ser respondido de forma anônima por servidores ativos e aposentados. Com os dados, o sindicato pretende construir um diagnóstico preciso do problema e propor políticas concretas de enfrentamento.

A pesquisa está disponível entre os dias 15 de julho e 18 de agosto e é destinada a comissários, delegados, escrivães, inspetores e investigadores, ativos ou aposentados. O formulário, anônimo, busca identificar padrões de comportamento, perfis mais afetados, frequência, impactos e as relações hierárquicas envolvidas nos episódios registrados entre 2015 e 2025. Também há espaço para relatos espontâneos que possam aprofundar as informações sobre os casos.

A pesquisa foi motivada pela frequência de casos de assédio e pelo aumento dos relatos de adoecimento mental entre os servidores da Polícia Civil. Segundo Neiva Carla Back, diretora da UGEIRM, o sindicato é procurado com frequência por policiais que relatam situações de assédio.

“A gente recebe inúmeros colegas que vão até o sindicato reclamar das práticas abusivas que ocorrem nas unidades policiais. A partir disso, a gente começou a pensar o que a gente pode fazer para coibir essas práticas. E aí a gente percebeu que não temos subsídio, a gente não tem conhecimento. A gente sabe empiricamente o que ocorre, mas a gente não tem nada que diga quantos, onde, como, quando ou porque”, aponta Neiva.

Embora o assédio seja um problema conhecido internamente na corporação, falar sobre o tema ainda é um tabu. O medo de retaliação e a cultura de silêncio que permeia a instituição contribuem para a subnotificação dos casos, o que dificulta o enfrentamento efetivo do problema.

Diante disso, a iniciativa da UGEIRM é utilizar os dados da pesquisa como ferramenta para embasar a criação de mecanismos de combate ao adoecimento físico e mental provocado por práticas abusivas no ambiente de trabalho da Polícia Civil gaúcha. “Tá passado da hora da gente fazer o diagnóstico para entender e principalmente para a gente subsidiar um material de combate o assédio. A nossa intenção é que se eduque, que se faça campanha para que o assédio não ocorra”, afirma Neiva.

A diretora reforça que os resultados da pesquisa serão fundamentais para a formulação de políticas que contemplem os servidores da Polícia Civil. “A gente precisa de protocolo de atendimento, a gente precisa de ouvidoria, a gente precisa de política para como acolher a vítima, políticas de prevenção. A gente quer prevenir, a gente não quer que o assédio ocorra”, destaca. Entre os objetivos do sindicato com a iniciativa estão a promoção de campanhas educativas, a formulação de políticas públicas junto ao Estado e a construção de ferramentas internas na Polícia Civil para acolhimento das vítimas e investigação das denúncias.

O questionário também busca entender a incidência dos assédios a partir de diferentes recortes sociais, como gênero e raça, e verificar se fatores como o cargo ocupado e o tempo de serviço influenciam na vulnerabilidade dos profissionais. A pesquisa está disponível no site da UGEIRM e pode ser respondida anonimamente.

“Ela é uma pesquisa do Sindicato, ela só vai servir para a UGEIRM ter um diagnóstico do que ocorre na categoria e faltar políticas e campanhas contra o assédio. Não é preciso ter medo de responder a pesquisa”, assegura Neiva.

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