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Estudantes de projeto de Orquestras do MST participam do Festival Internacional de Música de Londrina 

Estudantes de projeto de Orquestras do MST participam do Festival Internacional de Música de Londrina 
Foto: setor de Comunicação MST/PR

Por Isabela Cunha | Setor de Comunicação e Cultura do MST PR
Da Página do MST

Uma turma de seis educandos e educandas do projeto social Orquestra Popular Camponesa, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST do Paraná, estão participando das atividades do Festival Internacional de Música de Londrina (FIML). O projeto de educação e prática musical coletiva funciona há 4 anos em acampamentos e assentamentos rurais no estado e já se apresentou em eventos em Maringá, Curitiba e Ortigueira – incluindo apresentação para o presidente Lula. 

Nestas férias escolares, os jovens instrumentistas representam dois dos quatro núcleos da Orquestra e estão participando das oficinas de Violino, Viola de Arco, Percussão Sinfônica, Samba, Violoncelo e Contrabaixo acústico. Além das oficinas, a turma assiste regularmente aos ensaios da orquestra do Festival e aos espetáculos da programação. 

Este é o primeiro ano em que a Orquestra Camponesa participa do tradicional Festival londrinense. Para Igor de Nadai, coordenador da Orquestra Popular Camponesa, trazer os educandos e educandas para o Festival é uma grande conquista. “Primeiro porque são jovens que nunca tiveram acesso a eventos dessa magnitude, muitos nunca tinham entrado em um teatro”, explica o coordenador. 

Segundo ele, além da socialização do acesso à música, a participação é uma oportunidade de conhecer as potências do trabalho musical e das trocas com outros instrumentistas. “As oficinas reúnem músicos de projetos sociais de todo o Brasil, é uma oportunidade de os nossos jovens verem esse amplo universo da prática e do estudo da música”, avalia. 

Do campo para a cidade 

Na segunda-feira, 14, a turma começou o dia cedo, com uma viagem pelas estradas de terra que saem do Assentamento Eli Vive, onde funciona o núcleo mais antigo da orquestra. Com aulas no espaço da escola municipal recém inaugurada, o núcleo Eli Vive tem 120 educandos, entre eles, 80 são crianças de 6 a 9 anos, matriculadas em turmas regulares de canto coral e outros 40 são alunos de Cordas friccionadas (Violão, Viola de Arco, Violoncelo e Contrabaixo), cordas populares (Violão e viola), percussão, sopros (flauta, trompete, trompa e trombone).  

Foto: setor de Comunicação MST/PR

Para a participação dos jovens no Festival, a comunidade do assentamento se organizou e viabilizou um carro, o que possibilitou a viagem dos cinco educandos. Eloísa dos Santos toca viola de arco há um ano e meio e disse que estava apreensiva no começo. “Eu estava nervosa, meus pais apreensivos por eu sair de casa para viver uma experiência que a gente nunca tinha experimentado”, lembra. Depois de dos dias de prática e estudo a jovem de 17 anos se sente recompensada. “Eu pude tocar um pouco do repertório para a professora Flávia, e foi ótimo, ela me elogiou em muitos pontos, me corrigiu, e se tudo der certo pode ser que eu me apresente com a orquestra do Festival”, conta emocionada. 

Além dela, a violinista Clara Isabeli também diz estar contente com a participação, apesar das dificuldades. “Eu achei bem difícil no primeiro dia, a gente vê que são pessoas que estudam há muito tempo e que se dedicam bastante, isso deixa a gente um pouco insegura em alguns momentos”. Clara é educanda de um núcleo mais recente do projeto, que funciona há dois anos no acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu, na cidade de Porecatu, a cerca de 90 quilômetros de Londrina. Lá o núcleo funciona nas salas de madeira da Escola Itinerante, com aulas de Violino, Cello, Viola de Arco e Contrabaixo. “Nesse segundo dia ainda não tive coragem de me apresentar para a professora, mas ver as pessoas me fez desejar continuar me dedicando para alcançar a excelência musical como elas”, relata.

Fernando Campaner, maestro da Orquestra e professor de cordas, avalia que a participação no Festival cumpre o papel de aproximar os educandos desse universo novo que, segundo ele, muitas vezes só conhecem pela mediação do projeto. “A gente sabe que o acesso à música de excelência está restrito ao meio urbano, aos grandes centros e a Orquestra Popular Camponesa quebra essa lógica”, reflete. “Mas a gente não consegue fazer tudo, participar do Festival é um jeito de ampliar os horizontes das turmas, incentivar mais o estudo, inspirar e fortalecer”, conclui.

Sobre a Orquestra Popular Camponesa 

A Orquestra Popular Camponesa é um projeto de educação musical e prática orquestral coletiva voltado a crianças e jovens em áreas de Reforma Agrária, acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária do MST no Paraná. O projeto funciona há 4 anos e hoje são cerca de 280 crianças e jovens camponeses que estudam canto, instrumentos de corda, sopro e percussão em suas comunidades rurais. 

Alunos de Canto Coral se apresentando no Dia da Família na Escola, na Escola do Campo, Trabalho e Saber, do assentamento Eli Vive. Foto: Valéria Félix

Educandos e educandas das turmas de Canto Coral se apresentam no Dia da Família na Escola, na Escola do Campo, Trabalho e Saber, no assentamento Eli Vive em Lerroville, Londrina.

A Orquestra funciona em Londrina, no assentamento Eli Vive; em Porecatu, no acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu; em Arapongas, no assentamento Dorcelina Folador, e em Cascavel, no assentamento Valmir Mota. Em todos esses espaços, as aulas acontecem em contra-turno, no espaço das escolas e com contribuição de músicos dos centros urbanos da região. 

A Orquestra Popular Camponesa tem o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina – Promic; da Lei Paulo Gustavo do Estado do Paraná (no núcleo de Porecatu) e do projeto do Instituto Federal do Paraná, por meio da Secadi/ Ministério da Educação.

Festival Internacional de Música de Londrina

O Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) é um dos mais importantes eventos desse tipo no país. O Festival privilegia “todas as músicas”, com ênfase na música brasileira, e promove espaços de formação, fruição, com atividades em ruas, praças, igrejas, teatros, clubes e bares de Londrina e das cidades vizinhas. Este ano, o FIML está em sua 45ª edição.

*Editado por Solange Engelmann

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