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Desconfiança cresce nos EUA e expõe desgaste da política externa de Trump

Uma nova pesquisa da CNN conduzida pela SSRS lança luz sobre um fenômeno que pode alterar significativamente o papel dos Estados Unidos no tabuleiro geopolítico internacional: a crescente desconfiança da população norte-americana quanto ao apoio militar a Israel e, mais amplamente, ao envolvimento direto dos EUA em conflitos e questões internacionais. Com números expressivos, o levantamento aponta uma mudança profunda no humor do eleitorado — e na percepção da legitimidade da tradicional ingerência norte-americana em zonas de conflito.

Segundo a sondagem, apenas 23% dos norte-americanos consideram totalmente justificadas as ações militares de Israel em Gaza, uma queda de 27 pontos percentuais em relação a outubro de 2023, logo após os ataques do Hamas. Mais alarmante ainda: 22% afirmam que essas ações não se justificam de forma alguma, sinalizando uma polarização crescente no debate.

O quadro revelado pela pesquisa coloca em xeque a tradicional narrativa de que os EUA seriam os “policiais do mundo”, defensores da liberdade e da ordem internacional. O que se vê hoje é um país internamente dividido, com parte significativa da população rejeitando o envolvimento em guerras estrangeiras e questionando a validade moral e prática de sua ingerência.

Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, o futuro da política externa dos EUA — especialmente em relação ao Oriente Médio — deverá ocupar espaço central nos debates. A insatisfação popular poderá forçar mudanças no eixo estratégico do país e redefinir o papel dos EUA em um mundo cada vez mais multipolar e desconfiado da hegemonia unipolar norte-americana.

Ajuda militar sob escrutínio: apoio em queda livre

O descontentamento não se limita à percepção sobre Israel. O questionamento sobre a ajuda militar dos EUA a aliados estratégicos, especialmente Israel, também ganhou força. Entre os democratas, o número dos que consideram essa ajuda excessiva saltou de 44% em março para 59% agora. Entre jovens democratas (menos de 35 anos), 72% consideram que os EUA estão fazendo demais — e, mais impressionante, 43% defendem o fim completo do suporte militar a Israel.

A rejeição ao apoio militar não é restrita a filiações partidárias: entre pessoas de cor, por exemplo, 57% acreditam que Israel usou força em excesso e apenas 13% acham que as ações foram totalmente justificadas. Já entre os jovens em geral, 61% apontam uso excessivo de força por Israel e 56% dizem que os EUA estão fazendo demais por Tel Aviv.

Fadiga intervencionista

Mais de 56% dos entrevistados acreditam que os Estados Unidos não devem mais assumir um papel de liderança na resolução de problemas internacionais, marcando uma virada em relação ao padrão histórico da política externa.

O dado ganha peso especial após os ataques dos EUA a instalações nucleares no Irã, ocorridos semanas antes da pesquisa — ações que não apenas reacenderam o debate sobre o unilateralismo militar, mas também alimentaram críticas sobre os efeitos colaterais da ingerência, tanto no plano internacional quanto doméstico.

O desgaste entre democratas é particularmente marcante: o apoio à liderança internacional caiu de 58% para 44% desde março. Entre os que se opõem à liderança internacional, o apoio às ações israelenses também desaba: apenas 25% dizem que foram justificadas, contra 61% entre os intervencionistas.

Republicanos divididos: falcões, isolacionistas e o legado Trump

Historicamente ligados a uma política externa mais agressiva, os republicanos vivem hoje uma divisão interna sobre o intervencionismo. Desde que Donald Trump incorporou o discurso isolacionista como um de seus pilares, o partido passou a oscilar entre a tradição belicista e a retórica de “América em primeiro lugar”.

Enquanto parte da base ainda considera a liderança internacional crucial — especialmente no apoio à Ucrânia contra a Rússia —, outra parte vê o envolvimento externo como um erro estratégico que prejudica os próprios cidadãos norte-americanos.

Trump sob pressão: rejeição cresce como comandante-chefe

Apesar de manter popularidade entre republicanos, Donald Trump enfrenta forte rejeição na condução da política externa nacional. Segundo a pesquisa, 60% dos norte-americanos desaprovam sua atuação, e 59% desaprovam especificamente sua atuação como comandante-em-chefe, o maior índice desde seu primeiro mandato.

Após os ataques ao Irã, 53% acreditam que Trump prejudicou a imagem dos EUA no mundo, contra apenas 31% que veem ganhos com sua gestão internacional.

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