
O governo de Cuba repudiou o deslocamento militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, classificando-o como uma “demonstração agressiva de força” que ameaça a soberania e a autodeterminação dos povos latino-americanos.
A declaração foi divulgada pelo ministério das Relações Exteriores nesta quinta (28) e reafirma que a ação viola o compromisso assumido pelos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) de manter a região como Zona de Paz.
Segundo Havana, a justificativa apresentada por Washington, que tenta associar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao narcotráfico, não passa de “um pretexto absurdo e sem fundamento”.
O comunicado acusa a Casa Branca de “descartar irresponsavelmente a avaliação de sua própria Agência Antidrogas (DEA), que em seu relatório deste ano não menciona o governo venezuelano entre os facilitadores do tráfico de drogas”.
Havana afirma que os Estados Unidos voltam a recorrer a mentiras “para justificar a violência e o saque”, retomando o esquema de dominação ancorado na Doutrina Monroe.
Cuba alertou que “falácias semelhantes foram usadas para realizar ataques implacáveis com custos humanos consideráveis”, citando como exemplo a invasão do Iraque em 2003 sob a falsa alegação da existência de armas de destruição em massa.
O deslocamento militar de Trump mobiliza navios e milhares de soldados próximo às costas da Venezuela, em um dos maiores movimentos de tropas na região em décadas. Para o governo cubano, essa escalada militar não tem qualquer relação com o combate ao narcotráfico ou ao crime organizado, mas sim com a intensificação de uma política intervencionista contra governos soberanos da América Latina.
EUA como maior mercado de drogas do mundo
A chancelaria cubana também destacou que os Estados Unidos são “o maior mercado de drogas da região e, possivelmente, do mundo”, conforme aponta o Relatório Global sobre Drogas 2025 da ONU.
O comunicado observa que é no território norte-americano que “se concentram as maiores redes de estímulo ao consumo, distribuição e lavagem de vultuosos lucros, com relativa impunidade, sem qualquer esforço sério e efetivo do governo para impedir”.
Cuba acusa ainda que “as enormes somas de dinheiro provenientes do mercado ilegal dos EUA alimentam a criação e o funcionamento das redes de narcotráfico na América Latina e no Caribe”, enquanto a indústria de armas estadunidense, “com seus privilégios descontrolados”, fortalece o poder letal das organizações criminosas na região.
Além do pretexto antidrogas, Havana criticou a utilização de fluxos migratórios irregulares como justificativa para a escalada militar.
“Ninguém com um mínimo de bom senso ou honestidade pode conceber que a escala de tropas, equipamentos militares, ativos navais — incluindo submarinos nucleares — e poder de fogo que os Estados Unidos decidiram implantar naquela região seja a forma apropriada de combater o crime organizado, o tráfico de drogas ou os fluxos migratórios irregulares”, afirma a nota.
O comunicado conclui com referência ao pronunciamento do presidente Miguel Díaz-Canel na 13ª Cúpula Extraordinária da ALBA-TCP, em 20 de agosto, quando ele chamou os países da região a “denunciar firmemente as novas demonstrações de força imperialista”.
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