A Milícia Nacional Bolivariana da Venezuela, como são chamadas as Forças Armadas do país, iniciou nesta quinta-feira (04/09) treinamentos “como parte do fortalecimento da defesa integral”, em meio à mobilização militar dos Estados Unidos no sul do Caribe para supostamente combater o tráfico de drogas.
Segundo o secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, a “jornada de exercícios” também será realizada na próxima sexta-feira (05/09), com o objetivo de “consolidar a articulação entre as Forças Armadas, os corpos policiais e o povo, em resposta a ameaças internas e externas”.
Segundo a autoridade do governo Nicolás Maduro, citado pela Agência Venezuelana de Notícias (AVN), as manobras serão desenvolvidas “com alta organização, treinamento e missões”.
Em 21 de agosto, Maduro anunciou um alistamento militar em massa na Venezuela, em resposta aos consecutivos envios de navios para as costas marítimas venezuelanas e pelo oferecimento de uma recompensa milionária pela captura do líder, acusado sem provas de liderar um cartel de drogas.
Segundo a AVN, o chamado levou as Forças Armadas a contarem com mais de 8,2 milhões, considerando os reservistas. “Todos os setores sociais compareceram [ao alistamento em massa]: trabalhadores, camponeses, pescadores, cientistas, comunicadores, idosos e jovens profissionais”, relatou Maduro.
As ações do governo venezuelano decorrem da crença de que sua defesa territorial deve ser realizada com participação cidadã.

Chancelaria do Equador/Wikcommons
Rússia denuncia “pressão inaceitável”
A Rússia considerou, também nesta quinta-feira (04/09), que “a pressão do governo dos EUA sobre a Venezuela é inaceitável” e denunciou que o país está sendo ameaçado “em todas as frentes”.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, analisou a situação como “uma ação do Ocidente em relação a um país que quer seguir suas próprias políticas”.
“Vejam quantas vezes a Venezuela realizou eleições democráticas e quantas vezes essas eleições não foram reconhecidas pelo Ocidente. E quantas vezes o Ocidente impôs novas e novas exigências para a realização de eleições simplesmente porque não gostou do resultado”, disse a representante de Moscou.
Zakharova ainda acrescentou que a escalada de tensões dos EUA em torno da Venezuela “representa um perigo para a segurança regional e global”.
Contexto
Em agosto, os EUA anunciaram o envio de forças navais e aéreas para o sul do Mar do Caribe, sob o pretexto de combater o narcotráfico. Caracas alega que se trata de atos de agressão inconsistentes com a realidade, dada a falta de evidências que sustentem a versão dos fatos apresentada pela justiça norte-americana.
Na última segunda-feira (01/09), o presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou que seu país “enfrenta a maior ameaça” dos últimos 100 anos e alertou que havia “oito navios militares, com 1.200 mísseis e um submarino nuclear, mirando a Venezuela”.
“É uma ameaça extravagante, injustificável, imoral, criminosa e sangrenta”, afirmou, acrescentando que sua nação “jamais cederá à chantagem e às ameaças de ninguém”.
(*) Com TeleSUR, RT en espanhol e informações de Brasil de Fato
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