
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 33%, o melhor índice de 2025, e se aproximou da reprovação, que permanece em 38%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (10). Outros 28% avaliam a gestão como regular, o que soma 61% de opiniões positivas.
O levantamento foi realizado na segunda (8) e na terça (9), com 2.005 entrevistas em 113 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Da crise ao início de recuperação
O governo havia começado o ano sob forte pressão, marcado por crise política, dificuldades econômicas e impopularidade gerada pela chamada “crise do Pix”. Em dezembro, a aprovação era de 35%, contra 34% de reprovação e 29% de avaliação regular.
Dois meses depois, os índices oscilaram para baixo: aprovação de 24% e reprovação de 41%, o pior momento de Lula em seus três mandatos. Após relativa estagnação, a pesquisa de julho trouxe 29% de ótimo/bom, 40% de ruim/péssimo e 29% de regular. Agora, o Datafolha aponta uma recuperação consistente.
Fatores políticos e o impacto da crise internacional
A melhora coincide com dois acontecimentos centrais da cena política: o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF, acusado de participação em trama golpista, e a intervenção de Donald Trump em defesa do aliado, com novos ataques ao Brasil.
O Planalto também buscou enfrentar a crise com os Estados Unidos em tom nacionalista, especialmente durante o 7 de Setembro, quando Lula reforçou a defesa da soberania brasileira. Essa estratégia parece ter ajudado a reverter parte da percepção negativa.
Comparações com Bolsonaro
Apesar de ainda enfrentar uma reprovação alta, Lula se encontra em posição mais favorável do que seu antecessor. No mesmo momento de governo, Bolsonaro tinha 22% de aprovação e 53% de reprovação, com 24% de regular.
Além disso, a aprovação pessoal de Lula como presidente também oscilou positivamente: 48% dizem aprovar seu trabalho, contra 46% em julho, enquanto a desaprovação caiu de 50% para 48%.
Perfil do eleitorado
O mapa da aprovação repete padrões já conhecidos:
Mais favorável: nordestinos (45%), pessoas de 45 a 59 anos (40%), menos escolarizados (40%) e mais pobres (39%).
Mais crítico: moradores do Sul (52%), evangélicos (52%), pessoas com curso superior (46%) e faixas de renda acima de dois salários mínimos (47% a 51%).
Chama a atenção, contudo, a recuperação em dois grupos estratégicos:
No Nordeste, bastião histórico de Lula, a aprovação saltou de 38% para 45%.
Entre os evangélicos, tradicionalmente bolsonaristas, o índice subiu de 18% para 27%, ainda distante de um apoio majoritário, mas sinal de avanço.
Cenário em aberto
A pesquisa indica que Lula conseguiu algum fôlego político após meses de desgaste, mas não aponta para uma virada consolidada. A distância entre aprovação e reprovação ainda é pequena, e fatores externos podem influenciar o humor da opinião pública.
O julgamento de Bolsonaro, a instabilidade da relação com os EUA e possíveis efeitos econômicos do tarifaço de Trump estão entre os elementos que podem mexer nos números.
Outro ponto é a reorganização da direita diante da provável inelegibilidade de Bolsonaro. Nesse contexto, nomes como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) despontam como possíveis alternativas ao ex-presidente, aumentando o clima de polarização para 2026.
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