
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu nesta segunda-feira (15) que o país atravessa um processo de isolamento internacional e defendeu que a economia se adapte a um modelo de autossuficiência, inclusive no setor bélico.
A declaração ocorre em meio ao avanço da guerra na Faixa de Gaza e à intensificação das críticas contra Tel Aviv.
Em conferência do ministério das Finanças, Netanyahu afirmou que Israel pode enfrentar embargos de armas e até sanções econômicas. “Israel está em uma espécie de isolamento”, disse.
“Precisaremos nos adaptar a uma economia com características autárquicas. É uma palavra que eu odeio, porque fui eu quem trouxe a revolução de livre mercado a Israel. Mas não temos escolha”, afirmou o líder sionista.
O premiê citou como exemplo a necessidade de ampliar a indústria bélica doméstica. “Somos Atenas e Esparta. Mas vamos ser Atenas e super-Esparta”, afirmou, acrescentando que o país terá de desenvolver toda a capacidade de produção de que necessita para não depender de fornecedores externos.
Netanyahu atribuiu o isolamento a fatores externos, entre eles a “migração ilimitada” de muçulmanos para a Europa.
Segundo ele, esse contingente se tornou uma “minoria significativa — muito vocal e beligerante”, que pressiona governos a adotar posições anti-Israel.
O primeiro-ministro também acusou Catar e China de financiar operações digitais contra Israel, com uso de redes sociais, bots e inteligência artificial.
“Isso nos coloca em uma espécie de isolamento. Podemos romper, mas precisamos investir pesadamente em contramedidas, em operações de influência na mídia e nas redes sociais”, disse.
Ele ainda mencionou a Al Jazeera, emissora árabe com sede em Doha, como instrumento de propaganda anti-Israel.
Reações da oposição
As falas de Netanyahu provocaram forte reação interna. Yair Lapid, líder da oposição, chamou de “loucura” a admissão de isolamento e afirmou que a situação é fruto da “política falha e fracassada de Netanyahu, que transformou Israel em um país de terceiro mundo”.
Yair Golan, dirigente dos Democratas, disse que o premiê coloca sua sobrevivência política acima do interesse nacional.
“Para proteger minha cadeira, preciso de uma guerra eterna e de isolamento”, ironizou Golan em referência a Netanyahu. “Vocês sacrificarão o Estado, a economia e o futuro dos seus filhos”, disse.
Ex-membro do gabinete de guerra, Gadi Eisenkot criticou a “paralisia” do governo na condução do conflito.
“Se o primeiro-ministro não sabe como resolver, deve entregar as chaves e devolver o mandato ao povo imediatamente”, protestou.
Impacto econômico
A Associação de Fabricantes de Israel alertou que a “marca Israel foi seriamente prejudicada” no exterior e que a adoção de um modelo autárquico seria “um desastre” para a economia.
O Fórum High-Tech for Israel ironizou: “É essa a visão do primeiro-ministro — voltar a ser vendedores de laranja?”
As declarações tiveram impacto imediato nos mercados: os principais índices da bolsa de Tel Aviv caíram até 2% após o discurso, mas recuperaram parte das perdas no fim do dia.
Apesar da reação negativa, Netanyahu tentou conter os danos. Disse que o mercado de ações israelense é “o mais forte do mundo”, que a moeda israelense, o shekel, se valorizou e que os investimentos estrangeiros em pesquisa e desenvolvimento colocam Israel atrás apenas dos EUA.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que Netanyahu recebeu em Jerusalém uma delegação de 250 legisladores estaduais norte-americanos, a maior já enviada a Israel por um único país.
Ao lado do secretário de Estado Marco Rubio, do governo Donald Trump, exaltou a parceria com Washington e atacou países europeus que planejam reconhecer o Estado palestino.
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