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Copom insiste em juro de 15%, ignorando estagnação econômica

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (17) manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O Banco Central (BC) justificou a medida com o argumento de que ainda há riscos elevados de inflação, mesmo diante de sinais claros de moderação da atividade econômica e desaceleração da renda das famílias.

A decisão não surpreendeu o mercado, mas acendeu críticas mais duras contra a insistência do BC em sustentar juros extremamente elevados, mesmo quando a própria equipe econômica do governo já reduziu a previsão de crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% neste ano, atribuindo a revisão diretamente ao impacto da política monetária.

A ameaça de novos aumentos

No comunicado, o Copom deixou em aberto a possibilidade de aumentar ainda mais a taxa caso julgue necessário. O recado foi interpretado por analistas como um sinal de que o BC não pretende recuar tão cedo, mesmo diante de um quadro de estagnação econômica já perceptível no crédito, no consumo e no investimento.

A ameaça de juros ainda maiores é vista como um contrassenso por economistas críticos da atual política monetária. Trata-se de um ciclo vicioso: o Copom segura a economia com juros sufocantes, e ao menor sinal de que a inflação não converge rápido o suficiente, ameaça apertar ainda mais. É uma camisa de força que sacrifica emprego e renda.

Cegueira diante da estagnação

Ao insistir na Selic como único instrumento de controle inflacionário, o Banco Central ignora alternativas como estímulo à produtividade, aumento da oferta e incentivo ao investimento, todas medidas francamente implementadas pelo governo, mas que encontra um freio de mão no Banco Central. A manutenção prolongada dos juros em 15% trava a expansão do crédito, desestimula o setor produtivo e ameaça paralisar a economia em pleno ciclo de retomada.

O paradoxo é evidente: o BC justifica sua política em nome da “estabilidade de preços”, mas compromete o próprio crescimento que poderia sustentar a economia no médio prazo. Para sindicalistas e setor produtivo, o Copom se fecha em um raciocínio de curto prazo, descolado da realidade de empresas e trabalhadores. Os únicos beneficiados são especuladores parasitários que se refestelam nos ganhos de aplicações a juros espetaculares. O Brasil tem, inclusive, atraído especuladores internacionais, conforme o Federal Reserve dos EUA reduz os juros, o que tem atraído reservas em dólares e derrubado a cotação.

Política monetária no limite

Em 2025, o colegiado do Copom passou a ter maioria de diretores indicados pelo presidente Lula. Mesmo assim, a decisão não representou mudança de rumo. Pelo contrário: reforçou uma postura ortodoxa, que ameaça comprometer o projeto de reindustrialização e de ampliação do mercado de trabalho defendido pelo governo.

A taxa de 15% pode ser suficiente para conter pressões inflacionárias, mas seu prolongamento – somado à ameaça explícita de novos aumentos – tende a provocar um efeito colateral duradouro: a estagnação. E, nesse cenário, o custo recai sobretudo sobre os setores mais frágeis da economia, que dependem de crédito barato para sobreviver.

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