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Lula: O futuro da humanidade depende da reconstrução democrática

Em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, presidente questiona falhas do campo progressista diante da ascensão da extrema direita e propõe reflexão sobre novas formas de organização popular

O presidente Lula participou, nesta quarta-feira (24), da 2ª Reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, evento que reuniu 30 países na sede das Nações Unidas. Em um discurso contundente e marcado pela autocrítica, Lula defendeu a democracia como pilar essencial para o futuro da humanidade, a reconstrução do multilateralismo e a harmonia global. Ele desafiou o campo progressista a refletir sobre sua própria atuação diante da crescente ameaça da extrema direita.

O cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão do campo progressista no mundo. “O que que a gente vai fazer pela democracia? O que que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”, questionou Lula.

Presidente Lula participa da 2ª Reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos” https://t.co/e5lfpDjOsK

— Lula (@LulaOficial) September 24, 2025

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O presidente compartilhou sua jornada pessoal, revelando como a aversão inicial à política se transformou na profunda convicção de que “a desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta”. Ele lembrou a criação do PT a partir da percepção da ausência de trabalhadores no Congresso Nacional, apontando que a organização popular foi a chave para a classe trabalhadora alcançar a Presidência da República, um feito antes considerado “humanamente impossível”.

Lula também relembrou a fundação do Fórum de São Paulo, que logrou êxito em reunir a esquerda latino-americana em torno da organização dos trabalhadores. “Foi assim que nós criamos o Fórum de São Paulo. Da República Dominicana tinha 15 organizações de esquerda. A Argentina tinha umas 20 organizações de esquerda e ninguém falava com ninguém”.

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Ameaças à democracia 

O cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão. Ele instou cada cidadão e líder a se perguntar diariamente: “O que que a gente vai fazer pela democracia? O que que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”

A mais incisiva provocação do presidente, contudo, foi dirigida ao próprio campo democrático e de esquerda. “O que me inquieta hoje é a gente responder para nós mesmos aonde é que os democratas erraram, em que momento a esquerda errou, por que nós permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou é incompetência nossa?”, questionou.

Lula criticou a tendência de alguns governos, mesmo de esquerda, de priorizar os interesses “dos nossos inimigos” – como a cobrança do mercado e as demandas da imprensa – em detrimento da base popular que os elegeu. “Muitas vezes os nossos eleitores que foram pra rua, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados por nós sectários e radicais. E a gente começa a não dar atenção a eles e dar atenção àqueles que falam bem da gente. Esse é o fracasso da democracia”, lamentou.

Para o presidente, a resposta ao avanço do negacionismo, do extremismo e do discurso fascista deve surgir de uma avaliação honesta. “Nós temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Como é que nós estamos exercendo a democracia nos nossos países? Se a gente encontrar essa resposta, a gente volta a vencer a direita, sabe? Se a gente não encontrar resposta, a gente vai continuar sendo sufocado.”

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