
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta crescente desgaste político com a implantação dos pedágios free flow nas rodovias estaduais. O sistema, que substitui as praças físicas por pórticos de cobrança automática, tornou-se alvo de críticas de parlamentares tanto da oposição quanto de aliados, além de sofrer ampla rejeição nas redes sociais.
De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a cobrança “somente é autorizada após a conclusão, por parte das concessionárias, dos investimentos necessários e previstos em contrato”. Ainda assim, a contestação é forte, sobretudo pelo impacto direto no bolso de motoristas que vivem em regiões onde os novos pontos de pedágio foram instalados.
Aliados também criticam
Entre os críticos está o deputado Vitão do Cachorrão (Republicanos-SP), que, em vídeo, pediu “pelo amor de Deus” para que Tarcísio retire o sistema, alertando que moradores de Sorocaba terão de pagar pedágio até para “buscar um pão”. Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ele reforçou que, apesar de ser do partido do governador, se manterá contra a medida durante todo o mandato.
Outro aliado insatisfeito é Gil Diniz (PL-SP), que questionou a instalação de três pórticos na Raposo Tavares: “O metrô parou em Taboão da Serra. Em cidades como Cotia e Vargem Grande não há trem nem metrô, o trânsito é caótico e, agora, há pedágio”. Para ele, o modelo “vai dificultar muito (a vida da população), sobretudo dos idosos e daqueles que têm dificuldade com o mundo digital”.
Reprovação nas redes sociais
Um levantamento da AP Exata mostrou que 63,3% das menções ao sistema nas redes sociais são negativas, contra apenas 25,4% favoráveis. Nos últimos 30 dias, foram feitas 6,9 mil publicações sobre o tema no X (antigo Twitter), TikTok e Instagram, gerando 21 mil comentários e alcançando nove milhoes de pessoas. O CEO da empresa, Sergio Denicoli, avaliou ser “algo muito relevante e com imenso potencial de mudar narrativas”. A rejeição é quase unânime entre perfis de esquerda (87,8%) e significativa até entre eleitores de direita (55,8%), ampliando o desgaste da gestão Tarcísio.
Vídeos críticos viralizam, como um publicado por Antônio Donato (PT), que já ultrapassou um milhão de visualizações, e uma paródia feita por IA em que Tarcísio aparece dançando enquanto pedágios são instalados e que traz versos como: “Esse pedágio é sorrateiro / Ele te cobra sem avisar / Tá aparecendo no Estado inteiro / E vai te endividar”. O post no perfil do PT já superou 700 mil visualizações.
A oposição tem explorado esse desgaste em diferentes frentes. O deputado Simão Pedro (PT) acionou o Tribunal de Contas do Estado, enquanto o deputado Reis (PT) criticou a falta de informação ao público: “A maioria das pessoas não sabe o que é free flow. Muitos motoristas passam achando que se trata de um radar. É muito temerário seguir com o free flow assim”.
Pedágios começam a operar na Raposo Tavares
A pressão política se intensificou após o início da operação na Rodovia Raposo Tavares. Nesta quarta-feira (1º/10), três pórticos foram ativados nas cidades de São Roque, Alumínio e Araçoiaba da Serra, substituindo as praças convencionais de pedágio, que serão demolidas nos próximos meses. Os motoristas têm 30 dias para quitar a tarifa, com opções de pagamento digital por Pix, cartão ou aplicativo, além de desconto de 5% para quem usa tag eletrônica.
Segundo Vinícius Antonoli, gerente da CCR Sorocabana, “as praças convencionais serão desativadas. Os pórticos passarão a cobrar a tarifa no lugar deles. Ao total, são três pontos de cobrança na região e outros cinco de monitoramento”. O Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH em caso de não pagamento.
Expansão em curso
Apesar da pressão, Tarcísio pretende ampliar o sistema para 79 pórticos até 2030. Atualmente, seis já estão em operação. Mesmo com recuos pontuais — como a redução de pórticos previstos na Rota Sorocabana após protestos —, o governador insiste que o projeto é irreversível. A oposição, por sua vez, aposta na rejeição popular para desgastar sua imagem política e transformar os pedágios em bandeira de mobilização.
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com informações de agências
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