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Atividade econômica sobe 0,4% em agosto e interrompe quedas seguidas

A economia brasileira voltou a crescer em agosto, após três meses seguidos de retração. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Banco Central, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) — considerado uma prévia do PIB— apresentou alta de 0,4% em relação a julho, na série ajustada sazonalmente.

O resultado marca a primeira variação positiva desde abril e interrompe a sequência de quedas observadas em maio, junho e julho. Com isso, o índice chegou a 108,7 pontos, aproximando-se novamente do pico histórico de abril (110,2 pontos).

Apesar de o desempenho ter ficado abaixo das projeções do mercado (0,7%), o dado reforça a leitura de que a economia mantém resiliência mesmo em um cenário de juros altos e inflação pressionada.

Após três meses de retração, o IBC-Br mostrou alta de 0,4% em agosto, apontando para uma economia que mantém crescimento consistente e diversificado. O agronegócio continua puxando a expansão, os serviços seguem firmes e a indústria dá sinais de reação — um cenário que reforça a resiliência da economia brasileira diante dos desafios de juros altos e inflação controlada.

Desempenho acumulado mantém trajetória de alta

Os números seguem positivos no acumulado do ano. Até agosto, o IBC-Br registra crescimento de 2,6%, enquanto nos últimos 12 meses o avanço é de 3,2%. Esses percentuais indicam uma economia que continua expandindo, ainda que em ritmo mais moderado do que no início de 2025.

Na comparação com agosto de 2024, o índice mostra variação positiva de 0,1%, um sinal de estabilidade após o forte crescimento do ano anterior. Mesmo com a desaceleração recente, o país segue operando acima dos níveis de atividade observados antes da pandemia.

Agropecuária segue em alta e indústria volta a crescer

Os setores produtivos apresentaram desempenhos variados em agosto, mas com destaque positivo para indústria e serviços, que voltaram a avançar.

  • Indústria: cresceu 0,8% no mês, revertendo a tendência negativa anterior e impulsionada pela retomada da construção civil e pela melhora nas importações de bens de capital — um sinal de investimentos produtivos.
  • Serviços: registraram alta de 0,2%, mantendo o ritmo moderado de expansão sustentado pelo consumo das famílias e pelo aquecimento do mercado de trabalho.
  • Agropecuária: teve retração mensal de 1,9% na série ajustada, reflexo da sazonalidade do setor, mas segue forte no acumulado de 12 meses, com alta de 13,1%, sustentada por safras recordes de grãos e forte demanda externa.

Os dados mostram que, mesmo com oscilações pontuais, a base da economia continua sólida, com o agronegócio e os serviços mantendo o crescimento e a indústria mostrando sinais de reação.

Inflação controlada e juros altos compõem cenário de cautela

A inflação voltou a subir em setembro, com alta de 0,48% no IPCA, influenciada pela conta de luz. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 5,17%, acima do teto da meta (4,5%).

Para conter as pressões inflacionárias, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano— o maior nível em quase duas décadas. A decisão busca garantir a convergência da inflação à meta, mesmo que isso signifique ritmo menor de crescimento no curto prazo.

Economistas avaliam que, com a estabilidade dos preços e a redução gradual das incertezas externas, a economia pode fechar 2025 com alta próxima de 2,5%, alinhada à previsão do Banco Central.

O que é o IBC-Br e por que ele importa

O IBC-Br é um indicador calculado pelo Banco Central que antecipa o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB). Ele é construído a partir de informações da indústria, agropecuária, serviços e arrecadação de impostos, e serve como termômetro mensal da economia.

Embora não substitua o PIB oficial, divulgado trimestralmente pelo IBGE, o IBC-Br é amplamente utilizado pelo mercado financeiro e pelos formuladores de política monetária para avaliar tendências e ajustar decisões sobre os juros.

Perspectiva de crescimento moderado e sustentável

A leitura do IBC-Br de agosto indica que a economia brasileira retoma o crescimento, mas em um ritmo mais equilibrado. Os setores produtivos seguem com trajetórias distintas, e o Banco Central parece satisfeito com a desaceleração gradual — vista como necessária para manter a inflação sob controle.

Com a inflação estabilizando, juros em possível trajetória de queda em 2026 e forte desempenho do agronegócio e dos serviços, o país entra no último trimestre de 2025 com fundamentos que sustentam um crescimento positivo e sustentável, ainda que mais lento.

Com informações do Banco Central e Agências

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