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Bolivianos buscam nas urnas “mal menor” entre presidenciáveis de direita

Os bolivianos vão às urnas neste domingo (19) para o segundo turno das eleições presidenciais. A disputa é entre dois candidatos de direita, um duro golpe para a esquerda do país, governado há quase 20 anos pelo MAS (Movimento ao Socialismo) com as vitórias de Evo Morales (2005, 2009, 2014 e 2019) e Luis Arce (2020).

A hegemonia de esquerda somente foi interrompida entre 2019 e 2020 pelo golpe de Estado promovido pela então segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, atualmente presa.

Foi a partir dos governos de esquerda que a Bolívia alcançou crescimento econômico com distribuição de renda. Isso permitiu transformações profundas na estrutura social, beneficiando os mais pobres.

No entanto, o futuro dessas conquistas agora está ameaçado com a atual disputa entre o senador de centro-direita Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), e o ex-presidente conservador Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão Aliança Livre (ADN).

Paz foi alçado ao segundo turno ao obter 32% dos votos na disputa de 17 de agosto. Tuto ficou com 27% e voltou a sonhar com a presidência.

Esse cenário se construiu depois que o presidente Arce decidiu não disputar a reeleição após o racha interno do MAS e a disputa pelo legado da esquerda, enquanto Evo está impedido de concorrer. A ausência deles intensificou as divisões internas e abriu espaço para novas lideranças. Sem os dois líderes históricos, que trocaram acusações durante o processo eleitoral, a esquerda ficou de fora da disputa e distante das primeiras posições.

Tanto que o terceiro lugar ficou com outro candidato de direita, Samuel Doria Medina (Aliança Unidade), com 19,8% dos votos, e só depois, na quarta posição, veio um candidato de esquerda, o senador Andrónico Rodríguez, com 8,1% dos votos. O senador é antigo pupilo de Morales e era aposta do MAS, porém, saiu do partido com a disputa interna e se candidatou como independente.

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O candidato do Movimento ao Socialismo, o ministro de Governo Eduardo del Castillo, apoiado por Arce, obteve apenas 3,15% da preferência. O ex-presidente Morales fez campanha pelo voto nulo.

Os resultados preliminares já podem sair na noite de domingo. O tribunal eleitoral fotografará as folhas de apuração e as transmitirá para centros de contagem a fim de permitir maior lisura na apuração. A medida foi adotada após a eleição de 2019, que culminou no golpe contra Morales e jogou o pleito em um cenário de descrédito. Acompanham a eleição observadores da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Disputa

O centro da disputa eleitoral é a economia do país. As exportações de gás natural que antes garantiam boa parte do sucesso econômico caíram e a inflação já bate os 25% ao ano.

O consagrado modelo adotado por Morales que permitiu crescimento do PIB acima de 5% ao ano, no início da década passada, deverá ser desmontado, com perda da força estatal e maior aproximação a uma agenda neoliberal, alinhada aos Estados Unidos, de Donald Trump. O norte-americano vê com bons olhos essa mudança nos rumos do país sul-americano, uma vez que nele estão as maiores reservas de lítio do mundo — fundamental para a produção de baterias de carros híbridos e elétricos.

A dúvida que fica é a intensidade dessa agenda pró-mercado em desfavor aos trabalhadores. “Tuto” Quiroga, de 65 anos, presidiu o país entre 2001 e 2002 e tem como vice Juan Pablo Velasco, empresário do ramo da tecnologia. A dupla tem focado em uma campanha que exalta o ajuste fiscal, o livre-comércio e outras pautas recorrentes na agenda direitista.

Já Rodrigo Paz, de 58 anos, é senador e filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989–1993). Seu companheiro de chapa é Edman Lara, ex-capitão de polícia. A campanha que fizeram também promove avanços no setor privado, mas sem descartar programas sociais conquistados ao longo das décadas.

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