O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (19/12) que o avanço no processo de paz relacionado à Ucrânia está inteiramente do lado do Ocidente e do governo de Kiev. As declarações foram feitas durante o programa Resultados do Ano, onde ele apresentou os resultados anuais do seu governo e respondeu os questionamentos da imprensa.
“Dizer que rejeitamos qualquer coisa ou que recusamos negociações [de paz] é inadequado e sem fundamento”, afirmou, ao complementar: “a bola está completamente do lado dos nossos chamados adversários ocidentais, do chefe do regime de Kiev e de seus patrocinadores europeus”.
E reiterou, ao jornalista europeu, que não é a Rússia que está em guerra com o Ocidente, mas o Ocidente com a Rússia. “Não somos nós que estamos lutando contra você. Vocês que estão lutando contra nós, com as mãos dos nacionalistas ucranianos”, afirmou.
“Está absolutamente claro que, ao combinar e complementar nossas capacidades, nós prosperaríamos em vez de lutarmos uns contra os outros, como vocês estão fazendo”, acrescentou.
Trump
Putin mencionou que concordou em grande parte, durante as negociações realizadas em Anchorage, no Alasca, com compromissos discutidos no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Quando cheguei em Anchorage, eu disse que essas seriam decisões difíceis para nós, mas concordamos com os compromissos que nos propuseram”, afirmou.
Ele reiterou a disposição de negociar o acordo, desde que sejam tratadas as “causas profundas do conflito”; e declarou que a Rússia deseja viver em paz e sem conflitos militares no próximo ano. Ele também mencionou as iniciativas de Trump, afirmando que o líder norte-americano atua de forma sincera na tentativa de alcançar um acordo de paz.
Europa
Putin também foi questionado sobre supostos planos do país para atacar o Ocidente. Ele chamou as declarações de “absurdas” e disse elas visam criar uma imagem de Moscou como inimigo. Também garantiu que não haverá novas operações especiais se a Rússia for tratada com respeito e não for “enganada”.
Ele inclusive destacou que o país está pronto para trabalhar com a Europa, o Reino Unido e os Estados Unidos “em pé de igualdade”; e frisou que a cooperação com União Europeia (UE) seria vantajosa para ambas as partes.
Ele reiterou sua condenação ao confisco dos ativos russos congelados pelo bloco desde o começo da guerra, classificando a iniciativa como “saque”. E destacou que a proposta de usá-los para financiar a reconstrução de Kiev mina a confiança da Europa no sistema financeiro internacional. “Seja lá o que eles roubarem e de qualquer forma que fizerem, um dia terão que devolver”, advertiu.

©Alexander KazakovTASS
OTAN
Putin também criticou a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao longo das últimas três décadas, relembrando das garantias dadas ao país de que o avanço da Otan para o Leste não ocorreria.
Este processo, salientou, “implicou mover infraestrutura militar para mais perto da nossa fronteira, o que causa nossa legítima preocupação”. Ele também reiterou que qualquer encerramento do conflito na Ucrânia passa necessariamente pela resolução dessas questões estruturais.
Durante a entrevista, ele atualizou o avanço do país no campo militar, afirmando que as Forças Armadas russas mantêm o controle da linha de frente do confronto, ressaltando avanços em Zaporozhie e Donbass; e a retomada da cidade de Seversk.
China
O líder russo também apresentou os dados da economia do país, salientando que conseguiu equilibrar o orçamento, atingindo um patamar semelhante ao de 2021, o que, segundo ele, demonstra a resiliência do sistema econômico e financeiro do país.
Ao ser questionado sobre a China, ele destacou as relações entre os dois países. “A Rússia é o maior parceiro comercial nacional da China entre os países europeus”, afirmou, citando as cifras entre US$ 240 e 250 bilhões (R$ 1,32 a 1,38 trilhão) do comércio entre as duas potências.
Putin também salientou que os países cooperam na área militar, realizando regularmente exercícios militares; e no setor de altas tecnologias, afirmando que as relações Rússia-China são um fator essencial de estabilidade hoje no mundo.
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