
A tensão no mar do Caribe tem se acentuado nos últimos dias. O governo dos Estados Unidos capturou o petroleiro Centuries no último sábado (20). Antes disso, em 10 de dezembro, o petroleiro Skipper foi o primeiro petroleiro “roubado”, de acordo com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Na última quarta-feira (17), o governo venezuelano formalizou o pedido para que o Conselho de Segurança da ONU analise essa “agressão contínua dos Estados Unidos”.
Agora, informações dão conta de que neste domingo (21), Washington interceptou uma terceira embarcação denominada Bella 1, de bandeira panamenha, porém sancionada por já ter transportado petróleo venezuelano. De acordo com informações de agências internacionais, o petroleiro estava a caminho do país caribenho para ser carregado com o combustível fóssil.
Leia mais: EUA capturam cargueiro e Venezuela denuncia pirataria e roubo
O governo de Donald Trump não informou se capturou ou não o Bella 1. Segundo o The New York Times, a tripulação, ao ser interceptada, continuou o seu trajeto, o que coloca dúvidas sobre como está o andamento dessa perseguição.
Nas redes sociais, Maduro diz que há 25 semanas a Venezuela tem denunciado, enfrentado e derrotado a “campanha de agressão que vai desde terrorismo psicológico até corsários que assaltaram petroleiros”.
No sábado, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez publicou um comunicado do governo em que os EUA são acusados de roubo, sequestro e pirataria.
“A República Bolivariana da Venezuela denuncia e rejeita categoricamente o roubo e sequestro de um novo navio privado que transportava petróleo venezuelano, bem como o desaparecimento forçado de sua tripulação, cometidos por militares dos Estados Unidos da América em águas internacionais […] O modelo colonialista que o Governo dos Estados Unidos pretende impor com este tipo de práticas fracassará e será derrotado pelo povo venezuelano. A Venezuela continuará avançando com seu crescimento econômico, fundamentado em seus 14 motores e no desenvolvimento de sua indústria de hidrocarbonetos de maneira independente e soberana”, disse.
Leia mais: EUA interceptam petroleiro russo e ampliam cerco contra a Venezuela
“Esses atos não ficarão impunes e [a Venezuela] exercerá todas as ações correspondentes, incluindo a denúncia perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, outros organismos multilaterais e os governos do mundo. O Direito Internacional se imporá e os responsáveis por esses graves fatos responderão perante a justiça e a história por seu criminal proceder”, completou o comunicado do governo venezuelano divulgado por Delcy.
Mercosul
Durante a cúpula do Mercosul no último sábado (20), o presidente Lula afirmou que “uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.
Brasil e Uruguai não assinaram um comunicado conjunto do grupo pedindo restabelecimento da democracia e respeito aos direitos humanos na Venezuela.
A iniciativa do comunicado foi liderada pela Argentina, de Javier Milei, e não menciona as agressões dos EUA.
Leia mais: EUA cercam Venezuela com maior poder militar já visto na América Latina
Na avaliação de brasileiros e uruguaios, assinar tal documento seria uma demonstração de apoio a uma possível intervenção armada pelos norte-americanos, o que definitivamente o presidente Lula não quer.
Inclusive no último telefonema entre o líder brasileiro e Trump, Lula se colocou à disposição para intermediar o diálogo entre eles com a finalidade de arrefecer a tensão crescente.
O post Venezuela denuncia “campanha de agressão” dos EUA com roubo de petroleiros apareceu primeiro em Vermelho.
