
Em 2025, a autonomia econômica das mulheres passou a ocupar posição estratégica na agenda do desenvolvimento nacional. O governo federal reposicionou a igualdade de gênero como elemento central da justiça social e do crescimento econômico, enfrentando desigualdades históricas no mercado de trabalho.
A Lei nº 15.177/2025, que estabelece 30% de participação feminina nos conselhos de administração de empresas públicas, representa um passo importante no enfrentamento à exclusão das mulheres dos espaços de poder econômico.
Além disso, o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral, com até 81 ações estruturadas, reafirmou que a desigualdade salarial não é fruto de escolhas individuais, mas de um sistema que explora o trabalho feminino. Ao projetar a injeção de R$ 95 bilhões na economia, o governo explicitou que igualdade não é custo, mas investimento.
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Segundo Vanja Andrea, presidenta da União Brasileira de Mulheres, a política salarial é exemplar do método adotado. “Foram realizados grupos de estudos, debates com centrais sindicais, a sociedade civil organizada, os movimentos de mulheres, até que se apresentou a política. Agora, a corrida é para fazer com que ela vigore nos estados, municípios e empresas”, afirma. Ela ressalta que a implementação exige vigilância social: “A vigilância tem que contar com as mulheres e a sociedade civil”.
Saúde, cuidado e direitos reprodutivos
Na área da saúde, a ampliação da licença-maternidade e o avanço do debate sobre a licença menstrual marcaram 2025 como um ano de ruptura com silêncios históricos. O PL nº 1249/22, a Licença Menstrual, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), insere a menstruação no campo dos direitos trabalhistas, ainda que enfrente resistência no Congresso.
Essas medidas dialogam com políticas como o programa de Dignidade Menstrual, que garante absorventes gratuitos pelo SUS, e com a construção da Política Nacional de Cuidados, que busca retirar das mulheres a centralidade exclusiva do trabalho reprodutivo.
“Esse debate é necessário para tirar a sobrecarga das mulheres e fazer com que elas sintam esforços na sua formação, na sua profissão, nas suas promoções”, explica Vanja. Segundo ela, a política foi construída com ampla escuta: “Com a academia, com as trabalhadoras domésticas, com as centrais sindicais, com o movimento de mulheres envolvidos”.
Igualdade não é custo, é escolha política
Ao tratar a autonomia econômica das mulheres como eixo do desenvolvimento, o Brasil deu em 2025 um passo decisivo para romper com desigualdades históricas que sustentam a pobreza, a exploração do trabalho feminino e a dependência econômica. As políticas de igualdade salarial, cuidado e saúde reprodutiva sinalizam uma mudança de paradigma: reconhecer que não há crescimento sustentável sem justiça de gênero.
Ainda assim, como alertam os movimentos de mulheres, a consolidação desses avanços dependerá da implementação efetiva das políticas nos territórios, da fiscalização social e da capacidade de enfrentar resistências conservadoras no Congresso e no mercado de trabalho. O ano de 2025 mostrou que igualdade não é concessão, mas decisão política — e que transformar direitos em realidade exige vigilância permanente e participação ativa das mulheres na defesa das conquistas alcançadas.
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