
Manifestações em defesa da Venezuela e da soberania da América Latina tomaram as ruas de diversas capitais brasileiras nesta segunda-feira (5), consolidando uma resposta popular e progressista à ofensiva dos Estados Unidos contra o país sul-americano. Os atos denunciaram o ataque militar, o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, e reafirmaram o direito dos povos latino-americanos à autodeterminação, sem ingerência externa.
As mobilizações reuniram estudantes, trabalhadores, movimentos populares, organizações feministas, sindicais e partidos políticos, em uma jornada marcada por forte caráter internacionalista. Em palavras de ordem, faixas e discursos, os manifestantes denunciaram o imperialismo norte-americano, rejeitaram a lógica da guerra e defenderam a América Latina como zona de paz, construída a partir da soberania dos povos e da integração regional.
Belo Horizonte: “Continuaremos mobilizados”
Em Belo Horizonte, centenas de pessoas ocuparam a Praça Sete, no centro da capital mineira, em ato convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. A mobilização denunciou o sequestro de Maduro como uma violação flagrante do direito internacional e alertou para os riscos de naturalização de intervenções militares na região.
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Manifestantes ressaltaram que a ofensiva contra a Venezuela não se trata de um episódio isolado, mas de uma ameaça que pode se estender a qualquer país latino-americano. O protesto foi marcado por falas que apontaram os interesses geopolíticos e econômicos por trás da ação dos EUA, especialmente a disputa por recursos naturais estratégicos. Ao final, os participantes reforçaram que a luta não se encerra ali. “Continuaremos mobilizados”, afirmaram lideranças, indicando a disposição de manter a pressão popular nos próximos dias.
São Paulo: repúdio ao imperialismo e denúncia do saque
Na capital paulista, o ato ocorreu em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul da cidade, e reuniu movimentos populares, juventudes estudantis e organizações sindicais. A manifestação foi marcada por palavras de ordem contra o imperialismo, pela queima simbólica de bandeiras dos EUA e por denúncias do sequestro do presidente venezuelano como um verdadeiro ato de guerra.


Durante o protesto, lideranças dos movimentos sociais destacaram que a agressão à Venezuela expressa uma tentativa histórica de submeter a América Latina aos interesses de Washington, retomando a lógica da Doutrina Monroe. Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmaram que a ação norte-americana está diretamente ligada ao controle do petróleo venezuelano e anunciaram iniciativas de solidariedade concreta ao povo do país vizinho.
Brasília: marcha até a Embaixada dos EUA
No Distrito Federal, cerca de 250 pessoas participaram de um ato unificado que começou no Museu Nacional da República e seguiu em marcha até a Embaixada dos Estados Unidos. Com bandeiras, faixas e gritos como “Fora Trump da América Latina” e “A América Latina vai ser toda socialista”, os manifestantes denunciaram a política externa norte-americana como uma ameaça à soberania regional.
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O protesto reuniu estudantes, movimentos sociais, organizações feministas e militantes de esquerda, que enfatizaram o caráter internacionalista da mobilização. Para os participantes, o que está em jogo vai além da situação específica da Venezuela: trata-se de barrar um precedente perigoso que autoriza os EUA a intervir militarmente em qualquer país que não se submeta aos seus interesses. Falas durante o ato destacaram que defender a Venezuela é, também, defender o Brasil e o futuro da América Latina.
Mobilização nacional e unidade latino-americana
Além de Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, atos foram registrados no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, São Luís, Aracaju e Fortaleza, demonstrando a capilaridade da resposta popular em todo o país. Em várias cidades, a presença da juventude estudantil foi marcante, reforçando o protagonismo das novas gerações na defesa da soberania e contra a guerra.
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As manifestações desta segunda dialogam com a ampla repercussão internacional do caso e com o posicionamento de governos e entidades que condenaram a ação militar dos Estados Unidos. Para os organizadores, a resposta nas ruas é fundamental para fortalecer a pressão diplomática e afirmar que a América Latina não aceita ser tratada como quintal de nenhuma potência.
Ao final dos atos, entidades reforçaram que a jornada de mobilização continua. “Defender a Venezuela é defender o direito dos povos de decidirem seus próprios caminhos, sem sequestros, bombardeios ou tutelas externas”, sintetizaram os manifestantes, reafirmando a solidariedade ativa ao povo venezuelano e o compromisso com uma América Latina soberana, integrada e em paz.
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com informações de agências
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