
O governo da Venezuela iniciou nesta quinta-feira (9) a libertação de presos políticos mantidos em duas das prisões mais conhecidas do país, em um gesto unilateral apresentado como sinal de boa-fé e busca pela paz. O anúncio foi feito por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez, poucos dias após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Rodríguez ressaltou que a decisão foi tomada sem acordos prévios com outras partes políticas ou externas e já está em andamento. Segundo o anúncio oficial, a medida abrange tanto cidadãos venezuelanos quanto estrangeiros detidos em prisões do país. O governo não especificou o número total de libertados nem seus nomes, mas confirmou que o processo de soltura já começou.
Sem informar números totais, Rodríguez afirmou que será libertado um “número importante” de pessoas, entre venezuelanos e estrangeiros. Até esta sexta-feira (9), ao menos oito solturas haviam sido confirmadas.
Apelo à convivência pacífica
Ao anunciar a medida, Rodríguez classificou a decisão como uma contribuição do “governo bolivariano” para que o país possa seguir vivendo em paz e buscar prosperidade. Segundo ele, o gesto foi adotado sem contrapartidas e com “intenções sinceras” de pacificação nacional, em um momento de forte instabilidade política e social.
Jorge Rodríguez sublinhou que este passo não responde a diálogos com setores extremistas, mas a um esforço de comunicação com organizações políticas que atuam sob o estrito cumprimento da Constituição Bolivariana.
Rodríguez afirmou que a libertação faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar a união nacional diante de tensões internas e pressões externas, reforçando a busca por estabilidade e paz no país, independentemente das inclinações políticas, sociais ou religiosas dos envolvidos.
A iniciativa ocorre enquanto setores do governo intensificam ações de segurança, o que aponta cautela sobre a extensão da abertura política.
Quem são os primeiros libertados
Entre os presos libertados está Rocío San Miguel, uma das mais conhecidas especialistas em segurança da Venezuela, detida em fevereiro de 2024 após investigar práticas autoritárias do Estado. Cidadã venezuelana e espanhola, ela integra o grupo de cinco espanhóis soltos nesta primeira etapa, segundo confirmou o governo da Espanha.
Também foram libertados Enrique Márquez, ex-candidato presidencial preso após questionar sem provas os resultados da eleição de 2024, e Biagio Pilieri, dirigente oposicionista detido durante protestos contra o pleito. Todos são acusados de antipatriotismo ao defenderem sabotagem ao governo venezuelano.
Organizações de direitos humanos estimam que entre 800 e 900 presos políticos ainda estejam encarcerados no país. A maioria responde a acusações como incitação ao ódio, conspiração ou terrorismo. Mais de cem dirigentes partidários e ao menos vinte jornalistas permanecem presos, segundo entidades independentes.
Expectativa e ceticismo
Familiares de presos concentraram-se em frente a centros de detenção como El Helicoide e a prisão de Rodeo, em Caracas, à espera de novas solturas. Ao longo do dia, a expectativa deu lugar à frustração diante da falta de informações claras sobre quem será beneficiado.
Analistas lembram que, nos últimos anos, o governo venezuelano anunciou libertações pontuais, embora tenha havido novas prisões posteriores. Ainda assim, a medida foi recebida como um raro sinal positivo em meio a um cenário marcado por tensões, incertezas e disputas sobre o futuro político do país.
Ao final do seu discurso, o deputado expressou sua gratidão à comunidade internacional e às figuras que mediaram na busca da estabilidade do país. Em seu discurso, destacou o trabalho do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do Governo do Catar.
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