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Compliance Zero: PF prende cunhado e operador político de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um sofisticado esquema de fraude estrutural no sistema financeiro nacional. Com mandados expedidos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação mobilizou mais de 150 agentes para cumprir 42 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e no Distrito Federal.

No centro da operação desta quarta-feira está Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e CEO da Moriah Asset, que foi interceptado enquanto tentava embarcar para Dubai. Ele é apontado como o principal articulador político do grupo. Com ele foram apreendidos aparelho celular e documentos. A investigação cruza a fraude financeira com o financiamento de campanhas. Zettel foi um dos maiores doadores da extrema-direita em 2022, tendo destinado R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para a de Tarcísio de Freitas. A Polícia Federal investiga se esses repasses utilizaram capitais drenados do banco para garantir influência política e acesso a ativos estatais.

Nelson Tanure e o aparelhamento da EMAE

A segunda fase da operação colocou o investidor Nelson Tanure como alvo de mandado de busca e apreensão. O foco é a privatização da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), em São Paulo, por R$ 1,04 bilhão. A PF investiga se o fluxo de capital fraudulento do Master teria irrigado as campanhas para o governo paulista, que, depois da posse, patrocinou a polêmica privatização da EMAE, arrematada por um grupo ligado a Nelson Tanure e financiado pelo Master.

Investigadores sustentam que, após a venda, cerca de R$ 160 milhões do caixa da empresa foram drenados para o Banco Master via Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), funcionando como um socorro financeiro para ocultar a insolvência da instituição de Vorcaro.

Além de Vorcaro, Zettel e Tanure, a operação mirou figuras-chave do mercado de capitais e empresas que facilitariam a circulação de ativos fictícios. Entre elas, João Carlos Mansur, fundador da Reag Capital Holding, que é suspeito de auxiliar na ocultação de patrimônio.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão também na WNT Gestora de Recursos, Sefer Investimentos DTVM, Moriah Asset Management, Clínica Mais Médicos S.A. e Acura.

Influência e ostentação

Daniel Vorcaro, de 42 anos, é descrito como um outsider da Faria Lima que ascendeu rapidamente através de conexões em Brasília e no Judiciário. O inquérito aponta que o banco mantinha na “folha de pagamentos” consultores e mediadores de alto escalão, incluindo ex-ministros e figuras de proa da política, especialmente do Centrão, utilizados para tentar destravar negócios como a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) — operação vetada pelo BC por suspeita de fraude.

Enquanto o banco caminhava para a insolvência, Vorcaro mantinha uma rotina de luxo ostensivo, que incluiu a aquisição de 27% da SAF do Atlético Mineiro, o patrocínio de camarotes VIPs no Carnaval da Sapucaí e festas familiares com custos estimados em R$ 15 milhões.

Guerra de informação e ataques às Instituições

A PF também recolheu evidências de que o grupo Vorcaro financiou uma “guerra de informação” contra o Banco Central. O objetivo era descredibilizar a autoridade monetária após a decisão de liquidar o banco, por meio de um ataque feito por milícias digitais e influenciadores.

Por envolver autoridades com prerrogativa de foro e devido à sensibilidade econômica do caso, o processo corre sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. As defesas de Vorcaro afirmam que o banqueiro colabora com as investigações. As defesas de Zettel, Tanure e Mansur ainda não se manifestaram sobre os novos mandados.

O risco financeiro e o rombo no FGC

Embora antes da liquidação, o Master figurasse como uma instituição de médio porte (22º no ranking nacional, com R$ 63 bilhões em ativos), o caso disparou um alerta crítico no sistema financeiro. O banco detinha cerca de R$ 41 bilhões em depósitos (CDBs) de 1,6 milhão de investidores. A fraude atingiu diretamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O montante necessário para ressarcir os investidores do Master representa cerca de um terço de todo o caixa do fundo, tornando esta a maior quebra da história brasileira em termos de impacto para a “seguradora” dos correntistas.

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