Notícias

Brasil chega a 365 mil pessoas em situação de rua em 2026 

 Em 2025, o país atingiu a vergonhosa marca histórica de 365.822 pessoas vivendo nas ruas. Um aumento de 11,6% em relação ao ano anterior.  O retrato expõe um salto alarmante em pouco mais de uma década: em 2013, foram contabilizadas um pouco mais de 22 mil pessoas vivendo nas ruas.

Os dados são consolidados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG) e têm como base primária as informações do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. 

O professor André Luiz Freitas Dias, coordenador do Observatório e do programa Polos de Cidadania da UFMG, tem repetido em diferentes oportunidades que esse crescimento não é fruto do acaso. “O número de pessoas em situação de rua cresce no país mais uma vez e isso não é uma fatalidade, mas o resultado de escolhas políticas”, afirma.

As causas do aumento são múltiplas e interligadas. A precarização pós-pandemia ainda empurra famílias para a vulnerabilidade extrema. O descompasso entre o salário mínimo e os preços dos aluguéis e da alimentação agrava o quadro. A ausência de políticas estruturantes, capazes de oferecer uma “porta de saída” real, mantém o ciclo da exclusão. E, mais recentemente, a crise climática consolidou-se como fator adicional. Os desastres ambientais entre 2025 e 2026 forçaram novos deslocamentos e ampliaram o contingente nas ruas. 

O abismo entre as ruas e a riqueza no Sudeste

Embora o fenômeno seja nacional,  os desamparados se concentram de forma desproporcional na região mais rica da federação. O Sudeste abriga 61% do total, somando 222.311 indivíduos. O estado de São Paulo lidera o ranking com mais de 150 mil pessoas, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). No extremo oposto, o Amapá registra apenas 292 pessoas. Essa concentração urbana reflete o alto custo de vida e a ausência de moradia acessível.

Na capital paulista, o retrato é ainda mais contundente. Levantamentos da prefeitura indicam que mais de 55 mil pessoas vivem em situação de rua, o que faz da cidade o maior polo urbano da exclusão social no país. O contraste entre a pujança econômica da metrópole e a precariedade de milhares de vidas expostas ao relento evidencia a profundidade da crise.

Um perfil marcado pelo racismo estrutural

O perfil traçado pelos dados oficiais revela uma maioria composta por homens, entre 84% e 87%, em idade produtiva, de 18 a 59 anos. Mas é o recorte racial que expressa de forma mais clara as cicatrizes sociais do país: cerca de 69% dessa população é negra, entre pretos e pardos. 

Diante desse cenário, o diagnóstico do Observatório é de que o modelo tradicional de abrigos temporários é insuficiente. Especialistas defendem a transição para diretrizes mais humanas e eficazes, como o modelo “Moradia Primeiro” (Housing First), já testado com sucesso em cidades como Curitiba e em outras cidades do mundo. Garantir uma habitação fixa é o primeiro passo para que o indivíduo recupere sua cidadania.

O post Brasil chega a 365 mil pessoas em situação de rua em 2026  apareceu primeiro em Vermelho.