O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste sábado (07/02) que Teerã e Estados Unidos concordaram em realizar “em breve” uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear. Segundo ele, o Irã está disposto a avançar rumo a um acordo “tranquilizador” para ambas as partes. No entanto, o chefe da diplomacia iraniana descartou a negociação do programa balístico de seu país.
Araghchi explicou, em entrevista à emissora Al Jazeera, que ainda não há uma data definida para o próximo encontro, mas que Teerã e Washington consideram importante retomá-lo o quanto antes. Ele reiterou que o enriquecimento de urânio é um “direito inalienável” do Irã e que deve continuar, embora o país esteja aberto a um entendimento que ofereça garantias sobre esse processo. Ele acrescentou que, embora as conversas de sexta-feira (06/02) em Omã tenham sido “indiretas”, “surgiu a oportunidade de apertar a mão da delegação norte-americana”.
O presidente norte-americano Donald Trump saudou na sexta-feira as “excelentes” discussões em andamento com o Irã, após uma sessão de negociações em Omã, afirmando que as conversas deverão continuar “no início da próxima semana”.
As conversas entre Estados Unidos e Irã estavam congeladas desde os bombardeios sem precedentes realizados por Israel contra o Irã no ano passado, que desencadearam uma guerra de 12 dias em junho. O Catar, aliado dos Estados Unidos, manifestou esperança de que as discussões “resultem em um acordo abrangente que atenda aos interesses de ambas as partes e fortaleça a segurança e a estabilidade na região”.
Apesar do avanço, autoridades iranianas não esperam um acordo rápido que resulte na suspensão das sanções ou na melhora imediata da situação econômica.

Hamed Malekpour/ Tasnim News Ageny/ Wikimedia Commons
Programa balístico iraniano fora de debate
Neste sábado, o ministro iraniano denunciou uma “doutrina de dominação” que, segundo ele, permite que Israel amplie seu arsenal militar enquanto limita as capacidades de outros países do Oriente Médio.
Araghchi reforçou que o programa balístico iraniano “jamais poderá ser negociado”, por se tratar, segundo ele, de um tema estritamente ligado à defesa nacional. Os Estados Unidos pressionam para incluir essa questão e o apoio de Teerã a grupos armados hostis a Israel na pauta das negociações, porém, Teerã insiste que só discutirá o dossiê nuclear, buscando o levantamento das sanções internacionais que sufocam sua economia.
O chanceler do Irã advertiu ainda neste sábado que Teerã retaliaria mirando bases dos Estados Unidos instaladas no Oriente Médio caso Washington ataque o país. “Não é possível atingir o território norte-americano se Washington nos atacar, mas miraremos suas bases na região”, afirmou Araghchi na mesma entrevista à emissora catari.
Novas sanções petrolíferas contra o Irã
Os Estados Unidos anunciaram novas sanções petrolíferas contra o Irã poucas horas após a primeira sessão de negociações em Omã. As sanções atingem 15 entidades, duas pessoas e 14 navios da chamada “frota fantasma”, acusados de participar do comércio ilícito de petróleo, derivados e produtos petroquímicos iranianos, segundo o Departamento de Estado.
O ministro das Relações Exteriores da França afirmou nesta sexta-feira que o Irã deve renunciar a ser “uma potência desestabilizadora”, citando o programa nuclear e o apoio a grupos “terroristas” que representam, segundo ele, uma ameaça para países do Oriente Médio e da Europa.
Jean‑Noël Barrot, em visita à região, também pediu que “os grupos apoiados pelo Irã”, entre eles o Hezbollah, exerçam “a máxima contenção” diante do risco de uma escalada militar entre Teerã e os Estados Unidos.
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