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Bad Bunny redefine América no Super Bowl 60 e irrita Trump

“Deus abençoe a America… ou seja: Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia, Venezuela, Guiana, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, México”.

Foi assim que o artista porto-riquenho Bad Bunny encerrou sua apresentação no Super Bowl 60, neste domingo (8), ao citar países da América Latina diante de milhões de espectadores no mundo todo e reconfigurando em solo estadunidense o significado da palavra “América”.

Benito, nome do artista, foi escolhido para se apresentar no maior palco esportivo e midiático dos Estados Unidos em meio à intensificação das políticas de violência e repressão contra imigrantes sob o governo do presidente Donald Trump — que chegou a criticar publicamente a escolha do artista para o show do intervalo.

O porto-riquenho é o artista mais ouvido do mundo nas plataformas de streaming desde o lançamento de seu álbum Debí Tirar Más Fotos (Devia Ter Tirado Mais Fotos), que conquistou o Grammy de Álbum do Ano — a primeira vez que um trabalho em espanhol alcança a principal categoria da premiação. 

Lançado em janeiro de 2025, Debí Tirar Más Fotos, o trabalho mais explícito de Bad Bunny na afirmação de sua identidade porto-riquenha e latino-americana, foi produzido como álbum integralmente boricua, termo usado para se referir a alguém de Porto Rico.

Lady Gaga dança ao lado de Bad Bunny em cena inspirada em casamento latino. Foto: Reprodução

O disco revisita a história musical da ilha — da salsa à plena, do bolero ao reggaeton — como forma de reivindicar memória, pertencimento e continuidade cultural em um território marcado pela condição colonial. 

Porto Rico é território norte-americano colonizado após a Guerra Hispano-Americana de 1898. 

Embora seus habitantes sejam cidadãos norte-americanos, a ilha não é um estado e não tem representação com direito a voto no Congresso nem participação nas eleições presidenciais, mantendo um regime político distinto do das unidades federadas dos EUA

Diante de mais de 100 milhões de espectadores no mundo, Bad Bunny apresentou suas canções em espanhol que homenageiam trabalhadores rurais porto-riquenhos e inseriu no centro do espetáculo símbolos que remetem à história e às disputas políticas da ilha. 

A apresentação transformou o gramado do estádio em uma vizinhança porto-riquenha. No centro do palco, a “casita” já conhecida de sua residência artística na ilha serviu de eixo para a encenação, cercada por referências ao cotidiano caribenho e a trabalhadores do campo. 

O setlist percorreu sucessos como “Tití Me Preguntó”, “Yo Perreo Sola”, “Mónaco” e “Voy a Llevarte Pa PR”, combinando reggaeton, salsa e pop latino. 

Em determinado momento, o cenário simulou um apagão enquanto o cantor subia em um poste de energia, gesto associado à crise do sistema elétrico de Porto Rico, marcada por apagões prolongados e críticas ao processo de privatização da rede e à gestão norte-americana da infraestrutura da ilha.

Entre faíscas e cabos de alta tensão, Bad Bunny encena a crise elétrica de Porto Rico no intervalo do Super Bowl, em referência aos apagões e à controversa privatização da rede na ilha. Foto: Reprodução

Entre os convidados estiveram Lady Gaga, que interpretou uma versão com influência de salsa de “Die With a Smile”, e Ricky Martin, que dividiu o palco com o compatriota em Lo que le Pasó a Hawái, música que estabelece paralelos entre Porto Rico e outros territórios incorporados pelos Estados Unidos. 

Celebridades latinas como Karol G, Cardi B e Pedro Pascal também acompanharam a apresentação da “Casita” de Bad Bunny. No encerramento, surgiu no telão a frase: “O único mais poderoso que o ódio é o amor”. 

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