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“O Agente Secreto” é a melhor obra de 2025, diz editor da “New Yorker”

O cinema brasileiro recebeu um elogio de peso internacional que reforça a trajetória do filme rumo ao Oscar 2026. David Remnick, editor da prestigiada revista norte-americana The New Yorker, classificou o longa-metragem O Agente Secreto como a “maior realização artística” de 2025.

A The New Yorker é uma publicação reconhecida mundialmente pelo jornalismo narrativo de profundidade, pela investigação rigorosa e pela tradição literária que combina reportagem, crítica cultural e ensaio. 

A declaração de Remnick foi dada em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, por ocasião do lançamento do novo livro do jornalista, Sustentar a Nota – Perfis Musicais. Há 27 anos à frente da revista, o jornalista  elevou o filme brasileiro ao patamar dos grandes clássicos da história do cinema.

“O Poderoso Chefão”

Ele destacou especialmente, a força da cena inicial: “A maior realização artística do ano passado foi O Agente Secreto. Claramente o melhor filme. É a melhor abertura que já vi desde O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972), a cena do posto de gasolina”, afirmou.

Remnick comparou o impacto do filme ao poder das canções que servem como gatilhos de memória. Embora reconheça que, como estrangeiro, possa perder nuances de linguagem e referências musicais específicas do Brasil, por “estar estar perdido na tradução”, ele enfatizou que a força narrativa do filme é universal e incontestável.

Crise democrática e compromisso jornalístico

A entrevista também tratou do cenário político atual. Remnick manifestou grave preocupação com o futuro das instituições nos EUA, onde  “a democracia está sendo ameaçada de um modo que não víamos havia muito, muito tempo”.

Durante a conversa, o editor criticou a postura de bilionários como Jeff Bezos frente ao jornalismo. Ele afirmou que a influência de Bezos sobre o Washington Post comprometeu a independência editorial do veículo e enfraqueceu o compromisso com a informação pública.

Remnick também abordou os processos contra Donald Trump e a cobertura da crise em Gaza, que, segundo ele, apresenta superficialidade e vieses que obscurecem a complexidade do conflito. Para o editor, a excelência artística de obras como O Agente Secreto surge como um contraponto de profundidade em um mundo marcado por crises democráticas e pelo enfraquecimento do debate público.

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