
A nova ofensiva dos Estados Unidos contra Cuba, formalizada por ordem executiva do presidente Donald Trump que classificou a ilha como “emergência nacional”, provocou reação imediata de entidades brasileiras. Em meio ao aprofundamento do bloqueio econômico e ao estrangulamento energético, centrais sindicais, partidos políticos, movimentos populares e organizações estudantis intensificaram campanhas de solidariedade e passaram a pressionar o governo brasileiro por medidas concretas de apoio humanitário.
A decisão da Casa Branca impõe novas tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, agravando a escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos. O cenário ganhou novos contornos após ataques dos EUA à Venezuela, ampliando o temor de isolamento regional. Para os movimentos, trata-se de mais um capítulo da política de asfixia contra o povo cubano.
Centrais e juventude organizam arrecadações
Em publicação feita em seus perfis oficiais, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) convocou suas bases a fortalecer a campanha de apoio e reafirmou: “toda solidariedade a Cuba! Abaixo o bloqueio criminoso do imperialismo estadunidense!”. A entidade argumenta que o bloqueio, mantido há décadas, compromete o acesso da população a itens básicos, especialmente na área da saúde, e defende o reforço da solidariedade internacionalista.
Na mesma linha, a União da Juventude Socialista (UJS) lançou uma campanha para arrecadar R$ 10 mil até 25 de fevereiro, com foco no envio de medicamentos e suprimentos médicos. A organização denuncia que a política dos EUA busca “asfixiar o governo cubano” e impor sofrimento ao povo da ilha, reafirmando o dever de solidariedade ativa diante da escalada da extrema direita.
O movimento estudantil também se soma à mobilização. A União Nacional dos Estudantes (UNE), junto à União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e à Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), destacou a urgência da ajuda humanitária: “Cada minuto conta: Cuba precisa da nossa solidariedade agora”.
Manifesto cobra ação do governo brasileiro
Organizações como a Frente Brasil Popular, o Povo Sem Medo e a Alba Movimentos divulgaram declaração conjunta defendendo a construção de uma ampla rede internacional de apoio à ilha.
“Convocamos o povo brasileiro e, de forma especial, o governo do Brasil a se somarem a um esforço coletivo de apoio urgente à Cuba. Fazemos um chamado especial ao governo para que o presidente Lula, reconhecido por sua liderança na luta contra a fome, pela paz e pela cooperação entre os povos, assuma um papel ativo nessa iniciativa, somando-se ao exemplo do governo mexicano, liderado por Cláudia Sheinbaum, para o envio urgente de petróleo e outras fontes energéticas para Cuba”, diz o texto.
O exemplo citado é o do México, governado por Claudia Sheinbaum, que já realizou envios de apoio energético à ilha.
Crise humanitária e tensão diplomática
De acordo com Judite Santos, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Cuba, o momento é de “extrema urgência”. “Cuba está vivendo um momento muito difícil de tensões e preocupações devido ao recrudescimento do bloqueio que coloca em risco o país. Vimos pela declaração do presidente cubano, na semana passada, e também estamos acompanhando as medidas drásticas que estão sendo tomadas devido à escassez, tanto de combustíveis como também de alimentos e medicamentos”, disse ao BdF.
Ela menciona o posicionamento do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, que reagiu à retórica de Washington. “Agora, quem está constantemente falando sobre agressão e, sobretudo, quem tem levantado uma retórica insultuosa sobre uma possível agressão contra Cuba, é o governo dos EUA neste momento”, disse.
Judite também alertou para a paralisação de aulas presenciais e a interrupção de transportes devido à falta de energia e combustíveis. “Os EUA têm escalado as ameaças todos os dias, então não está descartada uma ação militar contra Cuba, embora o governo cubano tenha dito reiteradas vezes que está aberto ao diálogo com os EUA. Precisamos estar atentos para o que pode suceder neste momento grave de escalada das agressões imperialistas. Então, todos os setores brasileiros que sempre foram solidários a Cuba precisam unificar os esforços para pressionar o governo brasileiro para que fure o bloqueio e envie insumos ao povo cubano. É uma questão humanitária”, concluiu.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado solidariedade à ilha, mas ainda não anunciou medidas oficiais de apoio governamental. “O nosso país é soberano. Queremos trabalhar com todo mundo, mas não queremos voltar a ser colonizados. O nosso país é solidário ao povo cubano que é vítima de um massacre de especulação dos EUA contra eles. Temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”, declarou Lula no último sábado (7).
Diante do agravamento da crise, as entidades defendem que a solidariedade não pode se limitar a declarações. Para os movimentos populares e organizações progressistas, romper o cerco econômico e garantir ajuda concreta a Cuba tornou-se uma tarefa política e humanitária urgente.
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com agências
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