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EUA: deputados querem limitar ações de Trump contra Irã

Na próxima semana, membros do Congresso dos EUA poderão votar uma legislação crucial que visa limitar o poder do presidente Donald Trump de lançar ataques militares contra a República Islâmica do Irã. Essa iniciativa busca impedir que o Poder Executivo aja unilateralmente e sem a aprovação prévia dos legisladores.

O senador democrata Tim Kaine e o senador republicano Rand Paul apresentaram uma resolução no Senado para bloquear quaisquer hostilidades contra o Irã, a menos que haja uma declaração formal de guerra. Kaine enfatizou que aqueles colegas que apoiam o confronto “deveriam ter a coragem de votar a favor e serem responsabilizados perante seus eleitores, em vez de se esconderem debaixo de suas mesas”.

Enquanto isso, na Câmara dos Representantes, os deputados Ro Khanna e Thomas Massie planejam forçar uma votação semelhante. Khanna denunciou nas redes sociais que autoridades do governo Trump estimam uma probabilidade de 90% de ataques contra o Irã, alertando que tais ações são ilegais sem o consentimento do Congresso.

Essa medida legislativa ocorre em meio a tensões crescentes. Em 12 de fevereiro, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou o envio de um porta-aviões adicional, milhares de soldados, caças e destróieres para as proximidades do território iraniano.

Trump officials say there’s a 90% chance of strikes on Iran. He can’t without Congress. @RepThomasMassie & I have a War Powers Resolution to debate & vote on war before putting U.S. troops in harm’s way. I will make a motion to discharge to force a vote on it next week. https://t.co/FWQ245D6B8

— Ro Khanna (@RoKhanna) February 18, 2026

Em relação ao destacamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford, Trump afirmou recentemente: “Se não chegarmos a um acordo, precisaremos dele”, o que foi interpretado como uma tática de coerção militar em paralelo às negociações nucleares indiretas que ocorrem em Genebra, com a mediação de Omã.

De Teerã, a posição permanece firme na defesa da integridade territorial do país. O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeed Iravani, enviou uma carta ao Conselho de Segurança reafirmando que seu país não busca a guerra, mas que responderá com força, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU. “Em caso de agressão militar, todas as bases e instalações regionais da força hostil constituirão alvos legítimos”, advertiu Iravani.

Da mesma forma, o Líder Supremo da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, minimizou as ameaças do Pentágono. Ele observou que, após 47 anos de tentativas fracassadas de destruir a República Islâmica, os Estados Unidos ainda não compreendem a capacidade do Irã de se defender de forma soberana.

“Um porta-aviões é uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo”, declarou o aiatolá, enfatizando que a resistência do povo iraniano prevalecerá contra qualquer tentativa futura de agressão.

Entretanto, a Rússia e o Irã estão realizando exercícios navais conjuntos, denominados “Cinturão de Segurança”, no Golfo de Omã e no norte do Oceano Índico, para fortalecer a segurança e a coordenação no enfrentamento de ameaças à segurança marítima.

A crise atual decorre das políticas de confronto da administração Trump, que, após se retirar unilateralmente do acordo nuclear em 2018 , impôs sanções severas para conter o Irã. Essa estratégia fragmentou a diplomacia e alimentou um ciclo perigoso de ação e reação no Estreito de Ormuz, onde qualquer erro de cálculo poderia desencadear um conflito com repercussões globais.

Enquanto o Congresso dos EUA debate se deve retornar ao multilateralismo ou intensificar a agressão, o Irã reafirma que sua soberania é inegociável após quase 50 anos de resistência. A votação iminente em Washington determinará se o direito internacional ou a imposição da força prevalecerá no cenário do Oriente Médio.

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