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Veto da Hungria trava sanções da UE contra a Rússia

A Hungria vetou nesta segunda-feira (24) a aprovação de uma nova rodada de sanções da União Europeia contra a Rússia e bloqueou um empréstimo de € 90 bilhões destinado à Ucrânia.

A decisão impediu um anúncio conjunto do bloco às vésperas do quarto aniversário da guerra e expôs novas divisões internas na política europeia em relação ao conflito.

O veto foi formalizado durante reunião de chanceleres em Bruxelas, frustrando a tentativa da União Europeia de anunciar um endurecimento coordenado das medidas contra Moscou em um momento considerado sensível pelo bloco, diante do prolongamento do conflito e da intensificação das disputas internas sobre a estratégia europeia.

A exigência de unanimidade entre os 27 Estados-membros permitiu que Budapeste bloqueasse sozinha tanto o novo pacote de sanções quanto o financiamento a Kiev.

O pacote incluía restrições adicionais a autoridades russas, medidas para dificultar a evasão de sanções por meio de países terceiros e propostas para limitar serviços marítimos ligados ao transporte de petróleo russo, como seguros e manutenção de navios. 

Com o impasse, permanece em vigor o regime de sanções já existente, sem novas penalidades aprovadas.

O bloqueio do empréstimo de € 90 bilhões também interrompeu um acordo político firmado em dezembro, cujo objetivo era sustentar financeiramente o Estado ucraniano ao longo de 2026. Uma das bases legais da operação exige aval unânime do bloco, o que abriu espaço para a obstrução húngara.

Budapeste justificou a decisão ao condicionar seu aval à retomada do fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano e abastece refinarias da Hungria e da Eslováquia. 

O oleoduto está fora de operação desde 27 de janeiro. Autoridades ucranianas afirmam que a infraestrutura foi danificada por ataques russos e que os reparos dependem de condições mínimas de segurança, argumento rejeitado por Budapeste e Bratislava.

A disputa expôs novamente a dependência energética da Hungria e da Eslováquia do petróleo russo. 

As duas concentram as únicas refinarias da UE que ainda utilizam o Druzhba e contam com isenções específicas das sanções europeias sobre importações de petróleo refinado. 

Segundo dados de centros de pesquisa europeus, o petróleo russo respondeu por mais de 90% das importações energéticas húngaras no último ano.

A decisão da Hungria provocou críticas públicas de outros governos europeus, que apontaram prejuízo à coesão do bloco e ao esforço diplomático em torno da Ucrânia. 

Representantes da Alemanha, Polônia, Suécia e países bálticos afirmaram que o impasse evidencia os limites do modelo decisório baseado na unanimidade, sobretudo em temas estratégicos.

Do lado ucraniano, autoridades negaram que a interrupção do oleoduto tenha caráter político e defenderam que eventuais reclamações sobre o fornecimento de energia sejam dirigidas à Rússia. 

Kiev também informou à Comissão Europeia que estuda rotas alternativas para o transporte de petróleo enquanto a infraestrutura danificada não é plenamente restaurada.

Com o veto, a União Europeia encerrou a semana sem avançar em novas sanções contra Moscou nem garantir novos recursos financeiros a Kiev, em um momento de intensificação dos combates e de incertezas sobre a capacidade do bloco de manter uma resposta unificada ao conflito.

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