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Israel volta a usar pesticida em terras do sul do Líbano

Israel voltou a usar pesticida sobre terras agrícolas no sul do Líbano, atingindo vilarejos e plantações próximos à Linha Azul, na fronteira entre os dois países. 

Análises realizadas por autoridades libanesas indicam que a substância pulverizada por aeronaves é o glifosato, detectado em concentrações entre 20 e 30 vezes acima do uso habitual. 

O governo libanês classificou a ação como um “crime ambiental e de saúde” e anunciou que prepara uma denúncia ao Conselho de Segurança da ONU.

A ação ocorre em paralelo à guerra de agressão de Estados Unidos e Israel contra o Irã e é denunciada no Líbano como parte da política de expansão territorial israelense na fronteira sul.

#Syria: a small Israeli plane was filmed flying over the S. #Quneitra province today. https://t.co/JpugGpAqSG pic.twitter.com/RgqrXF3sGB

— Qalaat Al Mudiq (@QalaatAlMudiq) January 25, 2026

O governo libanês, em coordenação com o Exército do país e com a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), iniciaram levantamentos de campo e coleta de amostras de solo, água e vegetação nas áreas atingidas. 

As análises laboratoriais confirmaram a presença do pesticida glifosato, substância utilizada para eliminar vegetação e que pode afetar o solo, os recursos hídricos e as plantações. Relatórios preliminares indicam que a concentração do produto nas áreas atingidas varia entre 20 e 30 vezes o nível normalmente empregado em aplicações agrícolas. 

Autoridades libanesas afirmam que a pulverização aérea amplia o risco de contaminação, já que o produto pode alcançar fontes de água, áreas residenciais e cultivos destinados à alimentação.

O glifosato é classificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), como substância “provavelmente carcinogênica para humanos”. 

Estudos científicos associam a exposição prolongada ao composto a impactos na saúde e a possíveis alterações hormonais.

Agricultores de vilarejos próximos à Linha Azul relataram danos a plantações e pomares após a pulverização. Moradores também mencionam odores fortes no momento da operação aérea e dizem temer o consumo de alimentos cultivados nas áreas atingidas.

A região é impactada pelas consequências da guerra entre Israel e o Hezbollah entre 2023 e 2024. Diversas localidades próximas à fronteira continuam parcialmente despovoadas desde os confrontos, e episódios de bombardeios e incursões militares seguem sendo registrados no sul do Líbano.

Organizações de direitos humanos e especialistas ambientais alertam que a destruição de áreas agrícolas civis pode configurar violação do direito internacional humanitário. 

#Syria: this morning, an Israeli agricultural plane was filmed spraying a substance over farmland in the center of #Quneitra province.

This is the 3rd such spraying in less than a week. https://t.co/fsB4Xhlyt0 pic.twitter.com/bT3O4tW6dU

— Qalaat Al Mudiq (@QalaatAlMudiq) January 30, 2026

O governo libanês informou que prepara um dossiê com análises técnicas e relatórios ambientais para apresentar a denúncia ao Conselho de Segurança da ONU.

Autoridades e especialistas também apontam que a pulverização se soma a um histórico recente de danos ambientais provocados por operações militares israelenses na região. Episódios anteriores incluíram o uso de fósforo branco, munições incendiárias e a destruição de vegetação em áreas próximas à fronteira.

Analistas ambientais alertam que a repetição dessas práticas pode comprometer a fertilidade do solo, contaminar recursos hídricos e dificultar a retomada da produção agrícola. 

O impacto pode atingir diretamente comunidades rurais que dependem da terra para subsistência e retorno às áreas atingidas pelos confrontos.

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