
Israel bombardeou nesta quinta-feira a capital do Líbano, Beirute, especialmente a região de Dahiyeh, após ordenar a retirada de toda a área densamente povoada da capital libanesa.
A ordem atingiu uma região onde vivem cerca de meio milhão de pessoas e provocou pânico, congestionamento generalizado e a fuga de milhares de moradores, muitos deles obrigados a buscar abrigo nas ruas ou em praias da cidade.
Segundo o ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses desta semana já deixaram 123 mortos e 683 feridos. Dezenas de milhares de civis foram deslocados, enquanto bairros inteiros da capital ficaram vazios após a ordem de retirada.
Israel também ampliou a intensidade dos bombardeios em outras regiões do Líbano. Aviões de guerra atacaram cidades do sul do país, como Srifa, Aita al-Shaab, Touline, as-Sawana e Majdal Selem, além da cidade de Sidon, enquanto um ataque aéreo atingiu Douris, no leste libanês.
Aeronaves israelenses também foram vistas sobrevoando Tiro e Bint Jbeil.
Segundo o próprio Exército israelense, foram realizadas ao menos 26 rodadas de ataques contra Dahiyeh. Tel Aviv afirma ter atingido infraestrutura ligada ao Hezbollah, incluindo a sede do Conselho Executivo do grupo e um depósito de drones.
A escalada ocorre paralelamente à ofensiva militar conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã. Enquanto bombardeava o Líbano, Israel também participou de ataques contra alvos no território iraniano.
A ofensiva no Líbano ocorre após Israel romper o cessar-fogo firmado em novembro de 2024 e ampliar sua campanha militar no Líbano em meio à guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com a escalada na região, bombardeios voltaram a atingir o sul do país e os subúrbios de Beirute, tragando o Líbano para o conflito.
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A retórica sionista do governo israelense também sinaliza o grau da escalada. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou que Dahiyeh “vai se parecer com Khan Younis”, cidade da Faixa de Gaza devastada por bombardeios israelenses desde o início da guerra.
As ordens de retirada em massa também foram criticadas pela ONU. O alto-comissário para direitos humanos, Volker Türk, afirmou que a expulsão de centenas de milhares de pessoas levanta sérias preocupações sobre o direito humanitário internacional, especialmente quanto ao risco de transferência forçada de população.

Enquanto os ataques atingiam a capital, combates também foram registrados no sul do Líbano. A missão de paz da ONU no país, a UNIFIL, informou ter observado confrontos na região de fronteira, incluindo troca de tiros a oeste da cidade de Kfar Kila e ataques aéreos próximos a Khiyam.
O Exército israelense afirmou ter ampliado suas posições ao longo da fronteira e avançado para áreas do sul do Líbano, enquanto o Hezbollah declarou ter atacado forças israelenses em localidades como Maroun al-Ras e Kfar Kila. O grupo também divulgou imagens que afirmam mostrar um tanque israelense atingido por um míssil.
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