
No oitavo dia da ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a Press TV, canal internacional de notícias do Irã, informou que hospitais de Teerã entraram na lista de alvos dos EUA. A brutalidade da “Operação Epic Fury” atingiu o Hospital Gandhi, no centro de Teerã. As vítimas foram socorridas pelas equipes do Crescente Vermelho Iraniano, que retiraram recém-nascidos de incubadoras sob nuvens de poeira e escombros. O ataque também destruiu um avançado centro de fertilização in vitro, eliminando os sonhos de centenas de famílias. Um complexo esportivo em Azadi, no oeste do Irã, também foi destruído.
Além do Gandhi, os hospitais Khatam al-Anbiya e Motahari também foram alvos de ataques diretos. No sul do país, o Hospital Abuzar, em Ahvaz, teve de ser esvaziado sob fogo cruzado. “O registro de direitos humanos violados nesta guerra será escrito com sangue e vergonha”, afirmou o porta-voz do Ministério da Saúde, Hossein Kermanpour, denunciando o que chamou de “assalto contra a própria vida”.
No Irã, o número de mortos chegou a 1.230 pessoas desde 28 de fevereiro de 2026, segundo a agência estatal IRNA citada pela CNN Brasil; do lado EUA-Israel, não há baixas fatais confirmadas em tropas, apenas perdas materiais; no Líbano, aliado iraniano, 50 mortes foram reportadas pelo Ministério da Saúde local.
Baixas tecnológicas: radar de US$ 300 milhões é destruído
Apesar da superioridade bélica, os agressores sofreram perdas significativas. Fontes independentes, incluindo o jornal The Straits Times e a rede CNN, confirmaram a destruição de um sistema de radar AN/TPY-2 de última geração na Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, quarta-feira (4). O equipamento, avaliado em 300 milhões de dólares, é peça central na defesa antimíssil dos EUA no Golfo.
Simultaneamente, a Marinha do Irã anunciou uma onda de ataques com drones kamikazes contra bases estratégicas na quinta-feira (5).
Relatos iranianos indicam que o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln teria se afastado da zona marítima do Irã após ser alvo de drones da Guarda Revolucionária (IRGC). Embora o Pentágono negue danos ao navio, confirmou a perda do radar na Jordânia, evidenciando vulnerabilidades na “bolha de proteção” estadunidense.
Crise de moral e resistência interna nos EUA
Enquanto Donald Trump exige a “rendição incondicional” — declaração feita na sexta-feira (6) via Truth Social durante coletiva com o secretário de Defesa Pete Hegseth —, o apoio doméstico à guerra decai. Pesquisas de opinião, como a Reuters/Ipsos Poll divulgadas na quinta-feira ( 5), mostram que apenas 25% dos americanos aprovam os ataques, com 56% considerando excessivo o uso da força militar por Trump.
Mais grave para o Pentágono é a situação nas tropas: ativistas pacifistas da ANSWER (Act Now to Stop War and End Racism) — organização civil de protesto antiguerra e direitos civis, conhecida por grandes manifestações contra a Guerra do Iraque — reportam que cerca de 5.000 soldados buscam objeção de consciência ou meios legais para evitar o envio à frente de combate contra o Irã.
A resistência interna é alimentada pelo entendimento de que se trata de uma guerra não autorizada pelo Congresso e motivada por interesses geopolíticos escusos. O Congresso não autorizou formalmente a ação; Trump invocou poderes presidenciais (sob a Lei que concede autorização para uso de força militar de 2001 contra o terrorismo), mas democratas criticam a falta de aprovação específica, enquanto republicanos bloqueiam resoluções de cessar-fogo desde a última segunda-feira (1º). “Estamos fartos de derramamento de sangue sem fim”, declarou Yehuda Littmann, um dos manifestantes que tomaram as ruas em mais de 50 cidades dos EUA.
O presidente interino Mohammad Mokhber rejeitou a “rendição incondicional” , em pronunciamento na TV estatal IRNA, neste sábado (7) chamando-a de “delírio imperialista” e prometendo “resistência até a vitória”; o chanceler Abbas Araghchi reforçou em entrevista à Reuters: “Não nos renderemos a ultimatos; responderemos com força proporcional”.
O cerco imperialista: As bases da agressão
O Irã encontra-se cercado por uma rede de bases militares operadas pelos EUA em países vizinhos, que servem de plataforma para os ataques iniciados em fevereiro ( 28). A agressão parte de pelo menos sete países da região: Jordânia (Base Muwaffaq Salti, onde o radar foi destruído em 04/03), Catar (Base de Al-Udeid, sede do comando aéreo), Kuwait (Bases Ali al-Salem e Arifjan), Bahrein (Base de Al-Jufair, sede da Quinta Frota), Emirados Árabes Unidos (Base de Al Dhafra), Iraque (instalações em Erbil, no Curdistão iraquiano) e Israel (Base Aérea de Ovda, usada pela primeira vez com armas ofensivas dos EUA em solo israelense desde 28/02).
O presidente Masoud Pezeshkian reiterou em 3 de março de 2026 que as nações que cedem seu território para ataques contra o Irã serão consideradas cúmplices, a menos que cessem imediatamente o apoio à logística de guerra de Washington e Tel Aviv.
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