Frankenstein, uma releitura do clássico de Mary Shelley e dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro, apresenta a complexidade de sentimentos. Entre simpatia e empatia pelo criador, o longa avança pela repulsa e falhas do mesmo. A narrativa acompanha Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, um cientista obcecado que deseja superar a morte desde a partida de sua mãe, Hannah Frankenstein (Mia Goth).
Obcecado em criar sua mais nova criatura, o cientista dá vida ao seu ser a partir de cadáveres. No entanto, ao perceber que sua criação passa a vê-lo como uma figura de inspiração e gratidão, tanto que a primeira palavra que aprende é o nome de seu criador, Victor é tomado por um sentimento de medo e repulsa que o domina, fazendo com que abandone a criatura, evidenciando um profundo complexo de abandono.
A criatura interpretada por Jacob Elord não expressa apenas um monstro do imaginário popular, a criatura cresce em solidão, rejeitada por todos que encontra e desenvolve sentimentos profundos de tristeza, raiva e desejo de aceitação. Seus únicos amores são Elizabeth Lavenza (Mia Goth), que também interpretou a mãe de Frankenstein e posteriormente torna-se a noiva de seu irmão mais novo, e o bom “velhinho cego” (David Bradley), que o acolhe, destacando laços breves que lhe mostram um pouco de afeto diante do abandono.

Divulgação/ Netflix
Elizabeth Lavenza, que se mostrava amiga e apaixonada por Frankenstein, revelou à criatura que existe bondade entre os humanos, que, mesmo diante do abandono, a criatura ainda é capaz de ter empatia, afeto e desejo de conexão.
O diretor mexicano destaca uma certa humanidade na criatura criada por Frankenstein, mostrando como o abandono molda a identidade e influencia suas escolhas, tornando a criatura de Jacob Elordi vulnerável e perigosa.
No entanto, o filme também observa o lado de Victor, que sofre com formas sutis de abandono emocional, enfrentando responsabilidades e lidando com a culpa de ter dado vida a um ser que exige amor e compreensão, transformando o mito do monstro em uma reflexão sobre a própria condição humana.
A releitura que está concorrendo a nove indicações do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Maquiagem, Figurino e Design de Produção.
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