
Ao contrário do que havia declarado, que está desligado dos seus negócios privados desde 2018, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, assinou pessoalmente, em dezembro de 2019, um contrato milionário de R$ 4,4 milhões pela venda de honorários de precatórios para fundos ligados ao banco Master.
A transação revelada pela reportagem de “O Globo” envolve o fundo BLP PCJ VII, administrado pela Planner, corretora de Maurício Quadrado, que viria a ser sócio de Daniel Vorcaro no Master.
Ibaneis já havia tomado posse quando assinou o documento como avalista e responsável solidário. A autenticidade foi reconhecida pelo Cartório JK, em Brasília. A Ibaneis Agropecuária, empresa patrimonial do governador, também consta como avalista na negociação.
Entre os nomes associados ao caso Master aparece Artur Martins de Figueiredo, que assinou o contrato pelo fundo e é diretor da Banvox, holding suspeita de ser usada para capitalizar o Master com recursos do empresário Nelson Tanure.
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Maurício Quadrado era sócio da Planner na época e, posteriormente, do Master. Ele é investigado por supostas fraudes e lavagem de dinheiro na operação Compliance Zero e Carbono Oculto da Polícia Federal (PF).
Portanto, o governador mentiu ao afirmar que estava afastado do escritório Ibaneis Advocacia quando foi confrontado com outro contrato de R$ 38 milhões para a venda de honorários advocatícios (precatórios) à Reag Investimentos, gestora associada ao banco Master.
O novo documento liga ainda mais Ibaneis a personagens centrais da fraude bilionária contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
O caso ganha gravidade política porque Ibaneis Rocha foi um entusiasta da tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) em 2025, negócio que acabou vetado pelo Banco Central (BC)
Contratos
Com a descoberta deste terceiro contrato, o volume de recursos movimentados entre o escritório Ibaneis Advocacia (hoje gerido por seu filho, Caio Barros) e o ecossistema do Banco Master chega a R$ 52,9 milhões.
São R$ 4,4 milhões (Fundo BLP PCJ VII/Planner) em 2019, R$ 38 milhões (Fundo ligado à Reag) em 2024 e R$ 10 milhões (Fundo ligado à Reag).
O governador ainda não se manifestou especificamente sobre a assinatura do contrato de 2019.
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