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Genocídio na Faixa de Gaza ainda está em curso, denunciam especialistas

A política imperialista dos Estados Unidos e seus aliados têm usado como uma de suas estratégias a lógica do “esquecimento”: substitui um ataque por outro na tentativa de dissipar as críticas e manter o seu poderio em diversas partes do globo. Hoje, com o foco da cobertura da imprensa na guerra de Donald Trump e Benjamin Netanyahu (presidente de Israel) ao Irã, os problemas na Palestina ficaram em segundo plano e estão sendo pouco noticiados – embora ainda estejam longe de acabar.

Diante disso, é urgente manter a denúncia contra a crise humanitária causada na Faixa de Gaza por EUA-Israel, com mais de 81 mil mortes e a destruição quase completa da infraestrutura na região. Este foi um dos pontos abordados durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, no sábado (28), em Porto Alegre. Mediada por Gabi Tolotti, presidenta do PSOL-RS e integrante da Global Sumud Flotilla, a atividade reuniu vozes internacionais e brasileiras que denunciaram o genocídio em curso e a sua ligação direta com discursos extremistas de movimentos como Fascismo e Nazismo.

O encontro teve a participação do presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal) Ualid Rabah, do embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril, do embaixador da Liga Árabe, Ibrahim Alzeben, do jornalista Breno Altman (Ópera Mundi), do ativista Thiago Ávila (Global Sumud Flotilha), da professora Muna Muhammad Odeh (ANDES-SN) e da ativista Mauren Mantovani (BDS). A atividade também foi marcada por apresentações culturais dos grupos Terra e Guapas 60+, com danças tradicionais palestinas.

Embora os ataques ao Irã iniciados há pouco mais de um mês tenham feito a imprensa internacional “esquecer” o extermínio em massa na Palestina, eles fazem parte de um mesmo projeto: ampliar o poderio dos EUA e Israel em todo o Oriente Médio. “A questão palestina é a régua moral e geopolítica do mundo. É a régua moral porque divide a parte sã da humanidade da parte doente, porque nos permite ver quem está do lado certo e quem está do lado errado da história. Mas também é a régua da justiça, porque a consolidação do regime sionista é uma peça essencial da estratégia imperialista”, avaliou Breno Altman. 

Já Ibrahim Alzeben reiterou a importância de manter a mobilização global contra o genocídio em Gaza e ampliar as denúncias de novos ataques humanitários ocorridos todos os dias mesmo com o anúncio de um suposto cessar-fogo – que, para ele, nunca se confirmou de fato. “Transmito o carinho de mais de 400 milhões de árabes que amam a Palestina e peço que sigamos na luta para denunciar os crimes cometidos contra a população de Gaza”. 

O embaixador da Palestina, Marwan Jebril, acredita que ampliar a solidariedade internacional é fundamental para enfraquecer politicamente os autores da guerra. “As mobilizações ao redor do mundo ajudam a sustentar a resistência, especialmente em momentos de desgaste. Importante ressaltar que não há trégua efetiva e que mortes ocorrem diariamente na região. Por isso, quando às vezes nos faltam forças, vemos tantas bandeiras da Palestina, tantas pessoas mobilizadas, e isso nos dá ânimo, esperança e fé para seguir nesse caminho de resistência”, afirmou.

Fase avançada do fascismo

Ualid Rabah, líder da resistência palestina no Brasil por meio da Fepal, vê um novo padrão de violência com os ataques na região. “É o maior extermínio de crianças da história em termos proporcionais. É o ataque às mulheres, aos ventres. É a primeira tentativa de colapsar a capacidade reprodutiva de toda uma sociedade.” 

Rabah avalia, ainda, que os ataques recentes à Palestina começaram antes mesmo da segunda gestão de Donald Trump (Biden já havia oferecido apoio a Israel para combater o Hamas), mas agora inauguram uma fase avançada do fascismo, definida por um “totalitarismo genocidário”. “É a primeira ideologia colonial que resolve exterminar toda uma população originária como objetivo. Ainda assim, eles não conseguiram cumprir esse objetivo até hoje. Essa é a principal vitória palestina.”

Apresentação de grupo folclórico palestino durante Conferência (Foto: reprodução)

Boicote e sanções

Quem também reforçou a ideia de que há uma política fascista em curso foi Mauren Mantovani, da BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções),  campanha global, liderada por palestinos desde 2005, que busca pressionar Israel sobretudo economicamente e que exige o fim da ocupação dos territórios palestinos. 

“Quando hoje se fala do novo fascismo, tem que falar de Israel. O país não apenas aplica práticas de dominação sobre o povo palestino, como também exporta tecnologias e métodos repressivos para outras regiões, inclusive a América Latina. O boicote internacional precisa ser uma ferramenta concreta de enfrentamento”. 

A professora Muna Muhammad Odeh aposta na mesma estratégia de “forçar o rompimento de relações diplomáticas, comerciais e de todos os tipos com Israel”, já que o “uso massivo de armamentos modernos, bombardeios intensos, bombas de grande potência e munições altamente destrutivas” levam o conflito para outro patamar de destruição. Muna foi uma das que criticaram a falta de cobertura da imprensa internacional sobre o que tem ocorrido em Gaza desde o início da guerra no Irã. 

Por fim, Thiago Ávila, relembrou a importância de ampliar a mobilização internacional e que, embora ainda de maneira pontual, ela já tem apresentado resultados positivos. “Cada pessoa que se mobilizou ajudou a derrotar planos que previam a expulsão em massa do povo palestino. Essas ações demonstram capacidade real de enfrentamento ao projeto imperialista”. 

O militante também criticou a narrativa da existência de um cessar-fogo na região. “Estamos falando de uma população cercada, sob ataque constante. Isso não é cessar-fogo, isso é tecnofascismo.”